(Divulgação / Freepik) Durante o Carnaval, o consumo de bebidas alcoólicas costuma aumentar, muitas vezes associado a longos períodos de festa, altas temperaturas e pouca ingestão de água. A combinação desses fatores pode representar um risco importante para a saúde dos rins, mesmo em pessoas que não têm doenças pré-existentes. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo a nefrologista Dra. Daphnne Camaroske, da Fenix Nefrologia, o consumo excessivo de álcool, especialmente em um curto intervalo de tempo, pode provocar lesão renal aguda. “Os rins sofrem principalmente quando há exageros aliados à desidratação, algo comum durante a folia”, explica. De acordo com a especialista, o álcool prejudica a função renal por três mecanismos principais. O primeiro é a desidratação: a bebida alcoólica bloqueia o hormônio antidiurético (ADH), fazendo com que a pessoa urine mais, perca líquidos rapidamente e reduza o fluxo de sangue que chega aos rins. Outro fator de risco é a chamada rabdomiólise, condição em que ocorre a quebra das fibras musculares. O problema pode ser desencadeado pelo consumo exagerado de álcool e leva à liberação de mioglobina, uma substância tóxica que pode causar danos diretos aos rins. Além disso, o álcool pode provocar queda de pressão arterial. Associado a vômitos, suor excessivo e calor intenso, comuns no Carnaval, isso reduz o volume de sangue circulante, comprometendo a perfusão renal e levando à queda abrupta da função dos rins. Embora nenhuma dose de álcool seja totalmente isenta de riscos, a médica orienta que, para minimizar danos em pessoas com rins saudáveis, o consumo seja limitado a até uma dose por dia para mulheres — o equivalente a cerca de 350 ml de cerveja ou 150 ml de vinho — e até duas doses para homens. O mais importante, segundo ela, é evitar grandes volumes em pouco tempo. Os destilados merecem atenção especial por apresentarem maior concentração alcoólica, o que facilita a intoxicação rápida, principalmente quando consumidos em shots. “O efeito tóxico está relacionado à quantidade de álcool puro ingerida, independentemente do tipo de bebida”, ressalta. A hidratação adequada é apontada como medida essencial durante a folia. Beber água regularmente ajuda a compensar a perda de líquidos causada pelo álcool, reduz a concentração do sangue, diminui o risco de lesão renal aguda e auxilia o fígado na metabolização do álcool. Apesar de comum, misturar diferentes bebidas não é o principal problema, mas costuma levar a um consumo maior e mais acelerado, elevando os riscos. A especialista também alerta para sinais que indicam a necessidade de atendimento médico. Entre eles estão diminuição ou alteração da cor da urina, inchaço no rosto ou nas pernas, náuseas e vômitos persistentes, dor muscular intensa, confusão mental, ressaca prolongada, sede extrema ou boca muito seca.