Essa resposta do organismo a situações de perigo ou ameaça é um dos maiores vilões da longevidade saudável (AdobeStock) Problema de saúde pública global, o estresse é muito comum no Brasil, que é o quarto país mais estressado do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Mais de 18 milhões de brasileiros sofrem com transtornos de ansiedade. A International Stress Management Association no Brasil (Isma-BR) revelou que 72% dos trabalhadores brasileiros estão estressados, um nível alarmante que pode comprometer diretamente a longevidade. “O estresse crônico afeta todo o organismo, aumentando os níveis de cortisol e favorecendo doenças como hipertensão, diabetes e depressão”, ”, explica a médica endocrinologista Jacy Alves. Segundo ela, inicialmente, a resposta ao estresse envolve a liberação de hormônios como as catecolaminas e o cortisol, que desempenham papel protetor ao preparar o corpo para situações de luta ou fuga. “No entanto, quando esses hormônios permanecem em níveis elevados por conta do estresse crônico, suas funções se tornam prejudiciais, acelerando a progressão de diversas doenças. Dessa forma, o impacto cumulativo do estresse crônico sobre o organismo não apenas desgasta os sistemas corporais, mas também diminui a capacidade do corpo de se regenerar e de se proteger contra novas agressões”. Governos e outras organizações estão se conscientizando sobre a disseminação do problema. Nesse cenário, os profissionais de saúde definem o estresse como o assassino silencioso. Nos últimos anos, esse fenômeno tem sido amplamente estudado com descobertas significativas. A principal revelação é que o estresse, em si, não é o problema central. O verdadeiro desafio reside na falta de recuperação adequada. A recuperação não apenas permite que o ser humano reponha suas energias, mas também promove o crescimento e o desenvolvimento, atuando como o gatilho para tornar o sistema mais resiliente e antifrágil. Estudos mostram que o estresse constante afeta diretamente as células do corpo, reduzindo a produção de antioxidantes naturais e favorecendo a inflamação crônica. Esse processo causa o envelhecimento precoce, comprometendo órgãos vitais e aumenta o risco de doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson. “A exposição contínua ao estresse também pode comprometer a qualidade do sono, reduzindo a capacidade do organismo de se recuperar e equilibrar os hormônios essenciais para uma vida longa e saudável”, destaca a especialista. Gerenciar o estresse é essencial para assegurar uma vida longa e saudável. A médica Jacy Alves oferece várias estratégias valiosas para manter os níveis de estresse sob controle. Uma delas é praticar atividades físicas regularmente, pois os exercícios físicos liberam endorfinas, popularmente conhecidas como ‘hormônios da felicidade’, essenciais ao bem-estar. COMO REDUZIR Melhorar a qualidade do sono Garantir um bom sono ajuda a regular os hormônios do estresse e fortalece o sistema imunológico. Adotar técnicas de relaxamento Práticas como meditação, ioga e exercícios de respiração profunda são eficazes para reduzir a tensão. Alimentação equilibrada Adotar uma dieta rica em alimentos de origem vegetal, ricos em antioxidantes, pode ajudar a mitigar os impactos negativos do estresse no organismo. Apoio emocional Conversas com amigos, familiares ou profissionais de saúde mental podem aliviar o estresse emocional. Para integrar essas práticas de recuperação no dia a dia, é possível realizar atividades em diferentes níveis: Nível micro: Reserve pequenas pausas ao longo do dia para caminhar, tomar um café ou simplesmente respirar; meditar; realizar refeições agradáveis com amigos ou familiares, além de incluir exercícios aeróbicos na rotina. Nível médio: Priorize noites de sono reparadoras e aproveite dias de folga para se desconectar e relaxar. Nível macro: Planeje férias de acordo com suas preferências pessoais para proporcionar um descanso mais prolongado e significativo. Essas práticas, inseridas na rotina diária, contribuem significativamente para melhorar a capacidade de recuperação e, consequentemente, lidar melhor com o estresse. “Cuidar da saúde mental é crucial para viver mais e melhor. Pequenas mudanças no dia a dia podem fazer uma grande diferença na sua longevidade”, conclui a médica Jacy Alves.