(Divulgação/ Bruno Nascimento) Na hora de investir em um tênis de corrida, aparência e preço costumam ser os fatores decisivos para muitos consumidores. No entanto, essa escolha pode comprometer o conforto, a saúde e até o desempenho esportivo, segundo especialistas da área. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com Rafael Temoteo, presidente da Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva e da Atividade Física (Sonafe Brasil), é fundamental considerar características individuais antes da compra. Ignorar esse cuidado pode aumentar o risco de bolhas, dores e lesões por sobrecarga. “A escolha do tênis precisa respeitar o perfil do corredor e a forma como o corpo se comporta durante a corrida”, destaca o especialista. Erros mais comuns ao escolher o tênis Especialistas apontam que alguns equívocos se repetem entre corredores iniciantes e até experientes. Veja os principais: Ignorar a anatomia do pé Pés largos, estreitos ou com dorso mais alto exigem encaixes específicos. Um calçado inadequado pode provocar compressão, atrito e instabilidade durante a corrida. Não considerar a biomecânica da corrida A forma de aterrissagem (antepé, mediopé ou retropé), a cadência e o padrão de movimento influenciam diretamente na escolha do modelo. Hoje, a avaliação vai além da antiga classificação entre pronado e supinado. Acreditar que existe “o melhor tênis do mercado” Não há um modelo universal. O calçado ideal varia conforme experiência do corredor, ritmo de treino e características físicas. Investir em “supertênis” sem necessidade Modelos com placa de carbono e tecnologias avançadas são voltados principalmente para atletas em busca de alta performance. Para iniciantes ou corredores recreativos, nem sempre são necessários. Priorizar apenas o amortecimento Segundo estudos da área de biomecânica, o amortecimento isolado não previne lesões. Fatores como força muscular, técnica e volume de treino também têm papel importante. Terreno e durabilidade também contam Outro erro frequente é desconsiderar o tipo de superfície. Tênis de rua ou esteira não oferecem a mesma segurança em trilhas, que exigem solado mais aderente e estrutura reforçada. Quanto à troca do calçado, não existe prazo fixo. Em média, a durabilidade varia entre 700 e 800 quilômetros, mas depende da intensidade de uso, do peso do corredor e até do tempo parado — já que a borracha pode ressecar. Cuidado com mitos populares Entre as crenças mais comuns está a ideia de que “quanto mais macio, melhor”. Especialistas alertam que a sensação de maciez nem sempre significa melhor absorção de impacto. Já modelos muito leves podem exigir mais da musculatura se o corredor não estiver preparado. Fique atento aos sinais Alguns indícios mostram que o tênis pode não estar adequado: bolhas frequentes, calosidades, desgaste irregular do solado, inclinação do calçado, dores persistentes após a corrida, Lesões como tendinopatias (inclusive no tendão de Aquiles), síndrome do tibial posterior e fascite plantar podem estar relacionadas ao uso de um modelo inadequado. Avaliação profissional faz diferença A recomendação dos especialistas é priorizar conforto, bom ajuste e características individuais. Quando possível, a avaliação com fisioterapeuta esportivo ou profissional especializado pode ajudar a encontrar o modelo mais seguro e eficiente. Para quem está começando na corrida, a orientação é clara: mais importante que o visual do tênis é como ele se comporta no seu pé.