A proposta não é apenas promover a perda de peso, mas também melhorar o funcionamento do organismo (AdobeStock) Uma em cada oito pessoas no mundo lida com a obesidade, o equivalente a cerca de 890 milhões de adultos, de acordo com um relatório da Organização Mundial da Saúde publicado em 2025. Reconhecida como uma doença crônica e multifatorial, a condição envolve fatores metabólicos, comportamentais e ambientais, o que tem levado especialistas a defender estratégias de tratamento mais amplas do que as abordagens tradicionais. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Nesse contexto, o treinamento de força vem ganhando espaço. A proposta não é apenas promover a perda de peso, mas também melhorar o funcionamento do organismo. “Antes, o foco era o gasto calórico durante o exercício, o que favorecia atividades aeróbicas. Hoje sabemos que a musculação provoca adaptações metabólicas importantes”, afirma o treinador da academia Smart Fit, Lucas Florêncio. Segundo ele, o treino de força atua em mecanismos diretamente ligados à obesidade, como a resistência à insulina. “A musculação melhora a ação de hormônios como leptina e insulina e estimula a biogênese mitocondrial. Na prática, o músculo passa a captar mais glicose, funcionando como um ‘ralo’ para o açúcar no sangue”, explica. Pesquisas mostram que a musculação pode ajudar a controlar os níveis de açúcar no sangue e a melhorar a ação da insulina no organismo. Esses efeitos são importantes no tratamento da obesidade e de doenças relacionadas, como o diabetes tipo 2. Outro ponto relevante é o papel da massa muscular no metabolismo. Ao contrário da gordura corporal, o músculo consome mais energia para se manter ativo. Isso significa que quanto maior a quantidade de massa muscular, maior tende a ser o gasto energético do corpo, mesmo em repouso. O treino de força também impacta as tarefas do dia a dia. Pessoas com obesidade costumam ter menor força em relação ao próprio peso corporal, o que pode dificultar movimentos simples. A musculação ajuda a aumentar essa força funcional, facilitando atividades como subir escadas, levantar da cadeira e carregar objetos. COMO A MUSCULAÇÃO AGE NO CORPO TREINO DE FORÇA A musculação provoca adaptações metabólicas importantes no organismo. Antes associada apenas ao gasto calórico, passou a ser vista como aliada no controle de mecanismos ligados à obesidade. AUMENTO DA MASSA MUSCULAR O músculo consome mais energia para se manter ativo do que a gordura corporal. Quanto maior a quantidade de massa muscular, maior tende a ser o gasto energético do corpo, mesmo em repouso. MAIOR GASTO ENERGÉTICO Cada quilo a mais de massa muscular eleva a taxa metabólica basal. O treino de força mantém o metabolismo elevado após o exercício por causa do aumento do consumo de oxigênio no pós-treino. MELHORA DA GLICOSE A musculação melhora a ação da insulina e estimula mecanismos ligados ao metabolismo. Na prática, o músculo capta mais glicose, ajudando no controle do açúcar no sangue. MAIS FORÇA NO DIA A DIA O treino de força melhora a força funcional e facilita tarefas como subir escadas, levantar da cadeira e carregar objetos. REDUÇÃO DO SEDENTARISMO Com mais força e disposição para as atividades diárias, a pessoa tende a se movimentar mais ao longo do dia, contribuindo para um estilo de vida menos sedentário.