Várias outras condições coexistem com a endometriose e até têm raízes comuns (Adobe Stock) A endometriose é uma doença inflamatória crônica que afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva. A condição ocorre quando células do endométrio, mucosa que reveste a parede do útero, crescem fora da cavidade uterina. “A endometriose pode provocar cólicas incapacitantes, dor pélvica, dor durante a relação sexual e alterações intestinais e urinárias”, explica a ginecologista Ana Paula Fabricio. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O cuidado, porém, não deve se restringir às manifestações da própria endometriose. A doença pode aparecer associada a outras condições que também merecem investigação e abordagem individualizada. Uma das mais delicadas é a infertilidade, da qual a endometriose é a principal causa. “Ao se espalharem pelo aparelho reprodutivo, as células do endométrio atrapalham a implantação do embrião fecundado”, explica Rodrigo Rosa, especialista em reprodução humana, e diretor clínico da Clínica Mater Prime, em São Paulo. E como a endometriose tem como principal sintoma dor pélvica intensa, que geralmente não recebe atenção por ser confundida com cólicas menstruais, muitas mulheres só descobrem a doença justamente quando encontram alguma dificuldade para engravidar. “A endometriose é uma doença crônica. O tratamento atua no alívio dos sintomas e controle da condição. Logo, os sintomas e a dificuldade de engravidar podem retornar após algum tempo. Além disso, apenas 50% das pacientes tratadas por meio da laparoscopia possuem chances de engravidar futuramente”, alerta o médico. Outros males A endometriose e a enxaqueca são condições distintas, mas compartilham mecanismos biológicos semelhantes e a associação de ambas em mulheres é mais frequente do que se imagina. “Entre os pontos de conexão está a sensibilidade às oscilações do estrogênio, principal hormônio sexual feminino. Na enxaqueca, a variação hormonal pode aumentar a excitabilidade cerebral e facilitar a ativação do sistema envolvido no surgimento da dor. Já na endometriose, a ação de substâncias inflamatórias também pode aumentar a sensibilidade aos estímulos dolorosos”, detalha Tiago de Paula, neurologista especialista em Cefaleia, membro da International Headache Society (IHS). A endometriose também pode estar relacionada a alterações dermatológicas. Segundo Glauce Eiko, da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), há estudos correlacionando endometriose a maior frequência de acne, oleosidade, alopecia, psoríase e outras demartoses. “Com exceção da endometriose cutânea, essas manifestações não são causadas diretamente pela doença e parecem estar relacionadas a mecanismos hormonais e imunológicos compartilhados”, explica. Já a endometriose cutânea é uma manifestação direta, embora rara, da doença. “Ela ocorre quando o tecido endometrial se implanta na pele, geralmente formando nódulos dolorosos em cicatrizes abdominais ou na região umbilical”. Lipedema Outra doença com mecanismo semelhante à endometriose é o lipedema, acúmulo anormal de gordura subcutânea, especialmente em pernas e quadris. “A inflamação gerada pela endometriose pode funcionar como um gatilho para os sintomas do lipedema. Não adianta focar apenas no tratamento do lipedema, por exemplo, através da realização de cirurgia. É preciso tratar, simultaneamente, a endometriose”. relata o cirurgião plástico Rafael Erthal. Acompanhamento O ginecologista Nélio Veiga Junior reforça a importância do acompanhamento ginecológico regular, especialmente às mulheres que usam a pílula. “É a melhor maneira de detectar uma condição como a endometriose precocemente, o que aumenta as chances de tratamento e evita complicações”. Porém, o tratamento indicado pode variar de acordo com a paciente. “Em casos mais graves, o tratamento cirúrgico pode ser indicado”, enfatiza a ginecologista Ana Paula Fabricio. ()