Ponte da Amizade, que liga Foz do Iguaçu a Cuidad del Este: mais de 200 empresas brasileiras fincaram bandeira no país vizinho nos últimos anos (AdobeStock) O Paraguai, por muito tempo, foi sinônimo de produtos de origem duvidosa para os brasileiros. A Ponte da Amizade, entre Foz do Iguaçu, no Paraná, e Ciudad del Este, era o caminho para a passagem desses itens. Pois o país vizinho, hoje, é visto como uma opção interessante a empresas nacionais que querem instalar unidades lá. O nome desse fenômeno é maquila. Trata-se de um sistema onde as empresas têm seus impostos sobre importação de matérias-primas e componentes industriais zerados, e pagam uma alíquota reduzida de 1% de imposto cobrado sobre o valor agregado. Assim, o Paraguai se tornou, em termos de aspectos tributários, um país atrativo para receber investimentos diretos. Como resultado, mais de 200 empresas já fincaram bandeira no país vizinho. De acordo com o Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai, o segmento mais presente no país é o de confecção, com 33%, enquanto 16% atua com plásticos; outros 9% com autopeças; 8% na metalurgia e 5% com manufaturas. Outros 29% lidam com segmentos diversos. A carga tributária total chega a proporcionar ganhos de competitividade de 15% a 20%. Sem opção Um exemplo de empresa que resolveu se instalar no Paraguai é a tradicional fábrica de meias e moda íntima Lupo. “Não é que a Lupo foi para o Paraguai, o Brasil empurrou a gente para o Paraguai. Os impostos estão comendo a operação de forma violenta”, disse Liliana Aufiero, em entrevista recente à Folha de S.Paulo. Outro exemplo é a Karsten, do ramo de cama, mesa, banho e decoração. A empresa inaugurou, em março, uma fábrica en em Minga Guazú, no leste do Paraguai. A decisão “segue uma diretriz estratégica da companhia, sustentada por um ambiente econômico estável, condições competitivas para a manufatura e uma posição logística relevante na região”. Segundo a empresa, a nova operação foi estruturada para fortalecer a base produtiva da Karsten, “ampliar a capacidade de fabricação, especialmente na categoria de banho, e agregar flexibilidade industrial, em sinergia com as operações já consolidadas no Brasil”.