Com menos profissionais disponíveis, empresas recorrem à qualificação, benefícios e tecnologia (Imagem ilustrativa/FreePik) A dificuldade para encontrar trabalhadores deixou de ser um tema restrito a setores específicos e passou a aparecer com mais frequência no discurso das empresas. Em um momento em que o mercado de trabalho segue aquecido e a economia opera com níveis mais elevados de ocupação, cresce a preocupação com a disponibilidade de mão de obra. Pesquisa da FGV Ibre indica que, no ano passado, 62,3% das empresas afirmavam ter encontrado dificuldade em contratar ou reter colaboradores. O índice supera o de 2024, que era de 58,7%. Todos os principais setores registraram piora na passagem de 2024 para 2025, exceto a indústria de transformação, que reduziu o percentual de 60,2% para 52,3%. Em 2025, o setor com maior dificuldade seguia sendo a construção, com 69,1% das empresas relatando dificuldade. Perguntados sobre quais estratégias a empresa estaria adotando para superar essa dificuldade, 43,4% falavam em “investir em capacitação interna” (em 2024, eram 44,7%), seguido de “oferecer mais benefícios” (36,2% ante 32,4% no ano anterior) e “mudar processos para reduzir dependência de mão de obra”, com 24,9% (18,7% em 2024). A pesquisa ainda questionou as empresas sobre os impactos pelos problemas de contratação e/ou manutenção dos colaboradores. O maior percentual é de empresas que não têm observado impacto na sua produção ou prestação de serviços (39,6%), mas o índice caiu de um ano para o outro (48,4%). Governo federal Em março, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) lançou o QualificaProBR, uma ferramenta que ajuda a encontrar cursos gratuitos direto na Carteira de Trabalho Digital. A rede de ensino reúne informações de 49 instituições parceiras, incluindo Institutos Federais, o Sistema S e redes estaduais de ensino. Atualmente, são mais de 29,7 mil cursos catalogados e mais de 10 milhões de vagas presenciais e a distância (EAD). O acesso à plataforma também pode ser feito via web, pelo link servicos.mte.gov.br/qualificacao. Ações Por outro lado, entidades ligadas à indústria também se mobilizam sobre essa questão. É o caso do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial em São Paulo (Senai-SP), que criou uma ferramenta, o Mapa do Emprego Industrial, que acompanha a criação de vagas, a movimentação de profissionais e identifica as áreas e regiões com maior demanda por mão de obra qualificada em diferentes cadeias produtivas. “Com esse mapeamento, o Senai-SP, em parceria com a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), estrutura diversos programas de capacitação gratuitos, como o ExperTI, que formou 322.592 pessoas nas competências de Nuvem, Inteligência Artificial e Ciência da Dados, Segurança Cibernética, Desenvolvimento de Sistemas e Redes de Computadores. São cursos de qualificação, técnicos, graduação e pós-graduação em diversas áreas do conhecimento”, explica o Senai-SP, em nota. A entidade afirma, ainda, que “mantém investimentos contínuos para aproximar ainda mais os estudantes da realidade profissional com a modernização dos ambientes de aprendizagem, incorporando tecnologias de ponta, como automação, inteligência artificial, análise de dados, sistemas inteligentes, conectividade, eletromobilidade e soluções da Indústria 4.0”.