Mesmo que o adulto não apresente sintomas, ele pode estar com um vírus ativo e assintomático (Divulgação / FReepik) Beijar um bebê é, para muitos, um reflexo natural de amor e ternura. Mas o que poucos sabem é que esse gesto pode ter consequências perigosas, especialmente nos primeiros meses de vida do recém-nascido. Médicos e entidades de saúde vêm alertando pais, familiares e visitantes sobre os riscos reais que envolvem o contato direto com a pele — e principalmente com a boca — de um bebê. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com especialistas da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Academia Americana de Pediatria (AAP), o beijo pode transmitir infecções graves, como herpes simples tipo 1, citomegalovírus, vírus sincicial respiratório (VSR), entre outros agentes infecciosos que o sistema imunológico do bebê ainda não consegue combater adequadamente. Mesmo que o adulto não apresente sintomas, ele pode estar com um vírus ativo e assintomático. No bebê, isso pode gerar uma internação ou até colocar a vida em risco, segundo especialistas da SBP. Casos reais acendem o alerta Em diversos países já foram relatados casos de bebês internados em estado grave após receberem beijos de parentes ou visitantes. Um dos exemplos mais emblemáticos ocorreu no Reino Unido, quando um recém-nascido contraiu herpes neonatal e teve complicações sérias após o contato com um adulto que sequer sabia estar infectado. Nos Estados Unidos, segundo os Centers for Disease Control and Prevention (CDC), o vírus do herpes simples é responsável por milhares de hospitalizações em recém-nascidos todos os anos. Isso porque, em casos graves, ele pode atingir o sistema nervoso e evoluir para encefalite. O que dizem os especialistas? A orientação médica é clara: evitar beijos em recém-nascidos, principalmente nas primeiras semanas de vida. Os bebês ainda têm o sistema imunológico imaturo, e qualquer vírus pode ter um impacto desproporcional no organismo. Além disso, o contato próximo do rosto pode facilitar a transmissão de bactérias ou mesmo infecções respiratórias comuns, como gripes e resfriados. A recomendação dos pediatras é: Evitar visitas nas primeiras semanas; Não beijar o rosto, mãos ou pés do bebê; Sempre lavar bem as mãos antes de tocar na criança; E, se estiver com sintomas de gripe, febre ou lesões labiais, manter distância total. Mas... e o lado emocional? Do ponto de vista psicológico, o carinho físico é sim importante para o desenvolvimento emocional da criança — mas o toque seguro é suficiente. Carinho não precisa, necessariamente, envolver a boca. Olhares, palavras suaves, mãos limpas e um colo acolhedor já garantem o vínculo afetivo sem expor o bebê a riscos. Quando os beijos são mais seguros? A partir de seis meses de idade, o sistema imunológico do bebê já está mais preparado, especialmente após o início do calendário vacinal. Ainda assim, a recomendação é que o contato próximo seja feito com cautela — e sempre respeitando a saúde do adulto e a higiene das mãos e da boca.