Hemodiálise, a forma mais conhecida de tratamento, é apenas uma das abordagens médicas para a doença renal crônica (Adobe Stock) Segundo o Censo Brasileiro de Diálise 2025, da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), mais de 173 mil pacientes dependem da diálise para sobreviver, reforçando a importância do diagnóstico precoce da doença renal crônica e do acesso às diferentes modalidades de tratamento. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Embora a hemodiálise seja a mais conhecida, existem outras formas de terapia renal substitutiva. Além da diálise peritoneal, que pode ser realizada em casa por pacientes com indicação clínica e treinamento adequado, o transplante renal também é uma opção para pacientes elegíveis. A escolha depende de uma avaliação individualizada, considerando as condições clínicas e as necessidades de cada paciente. Estima-se que cerca de 10 milhões de brasileiros convivam com algum grau de comprometimento da função dos rins, muitas vezes sem saber, já que a doença costuma evoluir de forma silenciosa. Nos casos mais avançados, quando os rins deixam de filtrar adequadamente o sangue e eliminar toxinas e excesso de líquidos do organismo, a diálise passa a substituir parte dessa função, sendo essencial para manter a saúde do paciente. Segundo o nefrologista Bruno Biluca, ainda existe a percepção de que há apenas um tipo de diálise. Na verdade, o tratamento da doença renal pode envolver diferentes modalidades de terapia renal substitutiva. “A escolha da terapia leva em consideração as condições clínicas do paciente, a presença de outras doenças, a função renal residual, a rotina, o apoio familiar e a avaliação da equipe médica. Não existe um tratamento melhor para todos os casos, mas aquele mais adequado para cada paciente”. Segundo o especialista, a indicação da modalidade de tratamento ainda leva em conta idade, doenças associadas, função renal residual, estilo de vida, condições clínicas e preferência do paciente. “Cada modalidade apresenta benefícios e desafios. Nosso papel é avaliar cada caso para oferecer o tratamento mais seguro e mais adequado às necessidades de cada paciente”, enfatiza o nefrologista. Diagnóstico Apesar dos avanços nas terapias renais substitutivas, a prevenção ainda é a melhor estratégia. Como a doença renal crônica costuma evoluir sem sintomas nas fases iniciais, pessoas com hipertensão, diabetes, obesidade, histórico familiar de doença renal ou idade acima de 60 anos devem realizar acompanhamento médico periódico e exames simples, como creatinina, taxa de filtração glomerular e exame de urina. “Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de diminuir sua progressão e adiar a necessidade da diálise, preservando a função dos rins por mais tempo”, finaliza Bruno Entenda os termos Hemodiálise É a mais utilizada no Brasil. Nela, parte do sangue circula temporariamente por um equipamento responsável pela filtragem, por meio de um acesso vascular, retornando em seguida ao organismo após a remoção de toxinas e do excesso de líquidos. Entre as vantagens, estão o acompanhamento da equipe multiprofissional e a realização do procedimento em ambiente especializado. Por outro lado, por ser realizado em clínicas, exige deslocamentos frequentes. Diálise peritoneal O próprio peritônio, membrana que reveste a cavidade abdominal, funciona como um filtro natural. Após a implantação de um cateter, uma solução é introduzida na cavidade abdominal. Depois de um período, esse líquido é drenado, removendo toxinas e o excesso de água do organismo. A modalidade permite que o tratamento seja realizado em domicílio. Para pacientes com indicação clínica, essa alternativa pode oferecer maior flexibilidade para a rotina. Transplante renal Também faz parte das terapias renais substitutivas e pode ser indicado em casos de doença renal crônica avançada. A cirurgia consiste na substituição do rim doente por um rim saudável, proveniente de um doador vivo ou falecido. Para muitos pacientes elegíveis, o transplante representa a alternativa que mais se aproxima da função natural dos rins. Mas a realização depende de avaliação médica criteriosa, da compatibilidade entre doador e receptor e da disponibilidade de órgãos para transplante.