Cronologicamente inevitável, o envelhecimento está sempre no olhar da ciência (Gerada por IA) Cronologicamente inevitável, o envelhecimento está sempre no olhar da ciência. E não se trata apenas de uma consequência da passagem do tempo, mas um processo biológico complexo influenciado por fatores genéticos, moleculares, ambientais e comportamentais. Mestre em engenharia biomédica e fisioterapeuta especializada em dermatofuncional, Flávia Danielle Corrêa Andrade cita três descobertas referentes ao tema. Uma faz menção aos danos celulares acumulados. “Ao longo da vida, nossas células acumulam danos no DNA e nas mitocôndrias (responsáveis pela energia celular). Esse desgaste afeta o funcionamento dos órgãos e tecidos, incluindo a pele”, detalha. Outra lembra que o estilo de vida influencia mais do que a genética. “Mesmo quem não tem predisposição genética para viver mais pode adotar hábitos saudáveis (boa alimentação, exercício, sono, proteção solar e saúde emocional) que retardam os sinais do envelhecimento e melhoram a qualidade de vida”, avalia. Por fim, está a importância da microbiota intestinal. “Um intestino saudável ajuda a reduzir inflamações e protege contra doenças relacionadas ao envelhecimento, como Alzheimer, diabetes e doenças cardiovasculares”, afirma. O professor doutor Alexandre Galvão da Silva, responsável pelo laboratório de Fisiologia da Faculdade de Educação Física e Esporte (Fefesp) da Unisanta, lembra que já é consenso na literatura científica que o envelhecimento está relacionado ao acúmulo de danos celulares e inflamações crônicas de baixo grau que levam encurtamento dos telômeros (estruturas que protegem os cromossomos) e à diminuição da eficiência das mitocôndrias, que produzem energia para as células. “Além disso, processos como a senescência celular (quando células param de se dividir e liberam substâncias que contribuem para essas doenças associadas à idade”, acrescenta. Centenários Há pessoas que parecem dispostas a uma vida quase centenária e, por vezes, passam desta faixa etária. E há explicações. “Algumas pessoas vivem mais porque possuem genes que ajudam o corpo a se proteger melhor contra doenças e danos causados pelo envelhecimento. Isso é a parte da genética — a herança que recebemos dos nossos pais”, afirma Flávia. “É uma mistura entre fenótipo e genótipo. Hoje, com os avanços científicos, já se sabe que a genética responde por apenas cerca de 20 a 30% da expectativa de vida”, acrescenta Alexandre. O fenótipo representa as características físicas, como, por exemplo, cor dos olhos, altura e tipo sanguíneo. Já o genótipo se relaciona aos genes, ou seja, ao código genético recebido dos pais. “A forma como vivemos pode ‘ligar’ ou ‘desligar’ esses genes importantes, influenciando nossa saúde ao longo da vida. Isso é a epigenética, que mostra como hábitos como alimentação, exercícios, sono e controle do estresse podem ajudar a ativar genes que favorecem a longevidade”, descreve a mestre em engenharia biomédica. Saúde e prevenção Os cuidados com a saúde e a prevenção continuam sendo fatores essenciais, afirma o professor doutor. “Os outros 70% vinculados ao ambiente estão relacionados à dieta equilibrada, prática regular de exercícios físicos, sono de qualidade, controle do estresse e fatores sociais têm mostrado retardar o envelhecimento e reduzir o risco de doenças”, relata. “Ou seja, envelhecer bem depende de um conjunto de fatores — não só da aparência, mas também de como cuidamos do corpo e da mente ao longo da vida”, emenda Flávia.