A orientação é sempre priorizar métodos lentos, seguros e que mantenham o alimento na faixa de temperatura controlada (Reprodução / YouTube) Mesmo com todas as informações disponíveis, a forma como a maioria dos brasileiros descongela carne ainda é considerada inadequada. Especialistas em segurança alimentar afirmam que cerca de 90% das pessoas realizam o processo de maneira errada, geralmente deixando o alimento descongelar na pia, em cima do balcão ou mesmo dentro da pia com água. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Esse hábito, tão comum nas cozinhas domésticas, é apontado por autoridades sanitárias como um dos principais vilões da contaminação cruzada, da proliferação bacteriana e de surtos de intoxicação alimentar. “Muita gente acredita que descongelar carne em temperatura ambiente agiliza o preparo, mas isso expõe o alimento a uma zona de perigo bacteriológico extremamente arriscada”, detalham profissionais da área. A “zona de perigo”: quando a carne vira terreno fértil para bactérias O Ministério da Agricultura e entidades internacionais, como o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças), alertam para a chamada zona de perigo, faixa entre 5°C e 60°C. Acima desse limite, microorganismos como Salmonella, E. coli, Campylobacter e Staphylococcus aureus se multiplicam com rapidez. Quando a carne é deixada descongelando em temperatura ambiente: a parte externa aquece rapidamente, enquanto o interior continua congelado, criando condições perfeitas para a proliferação de bactérias. Ou seja: mesmo que vá ao fogo depois, o risco continua, já que algumas bactérias produzem toxinas que não são destruídas pelo calor. Por que descongelar na pia é tão perigoso? Além da exposição prolongada a temperaturas inseguras, esse método compromete a segurança do ambiente doméstico. Principais riscos: Contaminação cruzada de superfícies e utensílios; Gotejamento de líquidos da carne sobre a bancada; Toxinas bacterianas resistentes ao cozimento; Risco aumentado para crianças, idosos e pessoas imunossuprimidas. Esses perigos são ainda maiores quando se trata de frango ou suínos, que estão entre os alimentos mais associados a surtos de doenças alimentares. Como descongelar carne de forma correta e segura Autoridades e nutricionistas são categóricos: há apenas três métodos considerados seguros. 1. Na geladeira (o método mais seguro) Coloque a carne em recipiente fechado; Posicione na prateleira inferior, evitando contato com outros alimentos; Tempo médio: de 12 a 24 horas, dependendo do corte. É o método mais recomendado porque mantém o alimento sempre abaixo de 5°C. 2. No micro-ondas (modo descongelar) Ideal para consumo imediato; Aquece superficialmente, por isso a carne deve ser cozida logo após; Evita exposição prolongada à zona de perigo. 3. Em água fria (e nunca quente) Coloque a carne em saco hermético; Mergulhe em água fria, trocando a água a cada 30 minutos; Processo leva de 1 a 2 horas. Esse método é rápido e seguro, desde que a embalagem esteja intacta. E o que nunca deve ser feito? Deixar a carne sobre a pia ou balcão; Usar água quente ou morna; Deixar descongelar por horas ao ar livre; Repetir ciclos de congelamento e descongelamento. Essas práticas aumentam riscos e ainda prejudicam textura, sabor e qualidade nutricional. Pode cozinhar a carne congelada? Sim, e, para alguns especialistas, essa é até uma opção mais segura. Selar uma carne ainda congelada pode preservar suculência, e cozinhar frango ou carne moída diretamente do freezer é considerado seguro, desde que o tempo de cozimento seja aumentado. Já para grelhar ou fritar, o ideal é descongelar corretamente.