Dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) indicam que cerca de 25% das mulheres brasileiras manifestam sintomas da depressão pós-parto em até 18 meses após o nascimento do bebê (Imagem ilustrativa/Pexels) A chegada de um bebê é um momento de grande alegria, mas para alguns pais esse período pode ser marcado por um desafio emocional: a depressão pós-parto. A condição, que afeta principalmente as mães, mas também pode ocorrer em pais, é complexa e requer atenção e cuidado. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), aproximadamente 25% das mulheres brasileiras manifestam sintomas da depressão pós-parto em até 18 meses após o nascimento do bebê. “Na transição para a maternidade, algumas mulheres podem se sentir prejudicadas em suas carreiras e no senso de liberdade. Mães-solo podem buscar na criança um suporte emocional, o que pode gerar um ciclo de frustração e raiva quando o bebê expressa suas necessidades”, comenta o psicólogo, professor e mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP Marcos Torati. A depressão pós-parto é multifacetada, influenciada por fatores biológicos, psicológicos e sociais. Alguns fatores de risco podem aumentar a predisposição de um indivíduo a desenvolver essa condição, incluindo histórico prévio de depressão, eventos estressantes durante a gravidez ou após o parto, autoestima rebaixada, experiências traumáticas, gravidez indesejada, problemas de saúde do bebê, falta de apoio emocional, social e conflitos conjugais. “Muitas mulheres que experienciaram uma má maternagem na infância podem desenvolver depressão pós-parto, pois, nesses casos, quando o bebê nasce e todo o olhar e a assistência se voltam ao recém-nascido, elas se deparam com a reativação de sentimentos infantis de rejeição e desamparo. Podem sentir inveja, ciúmes, uma certa raiva do filho ao verem os entes queridos dedicarem cuidados exclusivos somente ao bebê. Só que esse ódio não é contra a criança, e sim pelas experiências relacionais traumáticas”, explica o psicólogo. Segundo Torati, um outro sintoma que pode se manifestar é a rejeição ao bebê. "Esse sentimento, em alguns casos, pode ser um deslocamento de conflitos com o parceiro. O medo de perder a identidade e a atratividade sexual também pode contribuir para a depressão pós-parto”. Para ele, uma grande dificuldade são as mães que ocultam a depressão pós-parto e mascararam os sentimentos negativos. A família e o parceiro desempenham papel vital, com apoio à mãe e ao bebê. Esse cuidado permite que a mãe se sinta cuidada, o que é essencial para que ela possa se vincular ao filho. Muitas mulheres são vítimas da narrativa cultural de que o amor materno é incondicional, uma idealização que não corresponde à realidade. Em meio a isso, a depressão pós-parto pode surgir como um enigma emocional incompreendido pela mãe. Somente quando essa situação é reconhecida e diagnosticada é possível viabilizar ajuda. “A rede de apoio é o alicerce que possibilita a recuperação da depressão pós-parto, através dela a mãe poderá ter tempo para se dedicar ao tratamento psicanalítico, alimentar-se com calma, ter um sono reparador, tomar banho com tranquilidade, exercitar hábitos de leitura, caminhadas e desfrutar de momentos de prazer e lazer”, finaliza Torati.