Identificar os sinais a tempo pode transformar a vida de uma criança e evitar consequências graves no futuro (Divulgação / Freepik) A infância costuma ser associada à alegria, brincadeiras e descobertas. No entanto, o número de casos de depressão infantil e juvenil tem aumentado de forma preocupante no Brasil. O problema, muitas vezes silencioso, pode passar despercebido até mesmo por pais atentos. Entender os sinais de alerta e saber quando procurar ajuda é essencial para garantir o bem-estar emocional das crianças e adolescentes. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), um em cada sete jovens entre 10 e 19 anos sofre com algum transtorno mental, sendo a depressão uma das principais causas de incapacidade nessa faixa etária. No Brasil, o cenário é semelhante: estimativas do Ministério da Saúde indicam que cerca de 10% das crianças e adolescentes apresentam sintomas depressivos. Quando a tristeza deixa de ser “fase” Segundo especialistas, é comum que crianças passem por momentos de irritação, choro fácil ou desânimo. No entanto, quando esses comportamentos se tornam frequentes e interferem na rotina, é hora de acender o sinal de alerta. A diferença entre uma tristeza passageira e a depressão está na intensidade e na duração dos sintomas. Se a criança apresenta desinteresse por atividades que antes gostava, dificuldades para dormir ou para se alimentar, é importante buscar ajuda profissional. Entre os principais sintomas da depressão infantil, estão: Tristeza constante ou apatia; Irritabilidade e explosões de raiva sem motivo aparente; Mudanças bruscas no sono e no apetite; Queda no rendimento escolar; Dores físicas sem causa aparente (como dor de cabeça ou barriga); Isolamento social; Falas autodepreciativas (“sou um peso”, “ninguém gosta de mim”). Em adolescentes, esses sinais podem se manifestar de forma mais sutil, por meio de isolamento, uso excessivo de telas ou comportamentos de risco. A importância da escuta e da rotina familiar O ambiente familiar exerce papel decisivo na prevenção e no tratamento da depressão. O diálogo aberto é a principal ferramenta para que os pais percebam quando algo não vai bem. Crianças e adolescentes nem sempre conseguem expressar o que sentem. Por isso, é fundamental que os pais estejam disponíveis para ouvir sem julgar. O acolhimento é o primeiro passo para que o jovem se sinta seguro em compartilhar o que está vivendo. Outra medida essencial é manter uma rotina equilibrada, com horários para dormir, estudar, se alimentar e brincar. A falta de estrutura pode agravar sintomas de ansiedade e desorganização emocional. Escola também tem papel fundamental A escola é um dos primeiros lugares onde as mudanças de comportamento podem ser notadas. Professores e coordenadores observam o desempenho e a interação social das crianças diariamente — e devem ser aliados na identificação precoce. Quando a escola percebe que o aluno está desmotivado, faltando muito ou se isolando, deve comunicar imediatamente à família. Essa parceria entre pais e educadores é crucial para o diagnóstico e o tratamento. Diagnóstico e tratamento O diagnóstico da depressão infantil é feito por um psiquiatra ou psicólogo especializado, com base em entrevistas clínicas e, se necessário, avaliações complementares. O tratamento pode envolver psicoterapia, acompanhamento psiquiátrico e, em alguns casos, o uso de medicação. Cada caso deve ser avaliado individualmente. O mais importante é não adiar a busca por ajuda. Quanto antes o tratamento começar, maiores são as chances de recuperação e de evitar que o quadro se agrave. Atividades físicas, alimentação equilibrada e um ambiente afetivo saudável também contribuem para a melhora do quadro. Quando procurar ajuda Procure ajuda especializada se perceber: Tristeza constante por mais de duas semanas; Alterações significativas no sono, apetite ou comportamento; Dificuldade de concentração e queda no rendimento escolar; Isolamento social e perda de interesse por atividades; Qualquer fala sobre morte, desejo de desaparecer ou autodesvalorização. Canais de apoio como o CVV (Centro de Valorização da Vida) — disponível pelo telefone 188 — também oferecem escuta gratuita e sigilosa.