Lidar com problemas crônicos pode levar a transtornos mentais, como a depressão (FreePik) O mal de quem convive com dores crônicas não se resume ao seu martírio: com o tempo, essas pessoas até podem desenvolver transtornos mentais como estresse, ansiedade e depressão. As dores constantes levam os pacientes ao isolamento social, geram sentimentos de desesperança e causam dificuldades para realizar tarefas cotidianas, afetando diretamente a qualidade de vida, de acordo com a psicóloga Francislene Karonili Cizoto, do Centro de Cuidados Integrados de Ermelino Matarazzo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Os principais sintomas de que as dores estão afetando a saúde mental da pessoa são mudanças no humor, ansiedade e preocupação excessiva, falta de interesse em atividades diárias, alterações no sono e dificuldade de concentração”, explica Francislene. Segundo a psicóloga, o tratamento para quem sofre de dor crônica e transtornos mentais consequentes dessas dores é multimodal, ou seja, envolve também o uso de medicamentos antidepressivos, ansiolíticos e medicamentos para dor. “A psicoterapia, especialmente a terapia cognitivo-comportamental, tem se mostrado eficaz no manejo do impacto psicológico da dor crônica”, explica. (Adobe Stock/Arte: Lutti Afonso) O papel da fisioterapia A fisioterapia também tem colaborado para melhorar a qualidade de vida dos pacientes. “A fisioterapia, ao aliviar a dor e restabelecer a funcionalidade do corpo, devolve a independência. Essa reabilitação também traz inúmeros benefícios para a saúde mental”, diz o fisioterapeuta Marcos Henrique Cordeiro, do Serviço Social da Construção (Seconci-SP). De acordo com Cordeiro, a fisioterapia tem assumido um papel importante, sendo também uma opção de tratamento não medicamentoso com destaque na avaliação, prevenção e tratamento de diversos problemas de saúde mental, que podem interferir na qualidade de vida e funcionalidade. A dor lombar crônica é a mais prevalente, afetando grande parte da população. Essa condição está frequentemente associada a problemas musculoesqueléticos, como hérnia de disco, distúrbios posturais ou degeneração articular. Estima-se que entre 60% e 80% da população mundial experimente dor lombar em algum momento da vida. Quando a dor é emocional Mas também pode ocorrer o inverso: o estado psíquico abalado produzir dores físicas – é a chamada dor emocional. “A dor emocional ou psicogênica é geralmente difusa, difícil de localizar, e pode variar em intensidade”, conta a psicóloga. Neste caso, a avaliação envolve excluir causas físicas e considerar o histórico emocional do paciente. É importante que o paciente procure psicólogos ou psiquiatras para lidar com os impactos emocionais, além do tratamento físico. (Freepik)