Mostrar menos ou criar um novo espaço para postar mais? Esse é o hype do momento entre a galera que anda apostando em ser low profile (quase sem posts) ou ter um daily (diário virtual) nas redes sociais. De um lado, perfis discretos e quase sem postagens. Do outro, contas cheias de registros do dia a dia — que podem ser fechadas ou até abertas pra todo mundo ver. Duas formas diferentes de se expressar nas redes, mas que têm algo em comum: buscar um jeito mais leve e real de estar on-line. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O famoso daily é aquele espaço onde você pode ser quem é, sem filtros, sem medo de julgamentos, mostrando a vida real. A criadora de conteúdo Thayssa Borges de Lima, de 18 anos, tem três contas nas redes e consegue usar cada uma para uma função diferente. Uma delas é o daily, que já soma mais de 60 mil seguidores e, para ela, virou um cantinho seguro e mais íntimo, “onde posso ser 100% eu mesma”. -THAYSSA 2 (1.483911) Antes, Thayssa tinha uma conta principal, mas nunca se sentiu totalmente à vontade para compartilhar tudo o que vivia por lá. “No daily, eu me sinto mais livre para ser quem realmente sou, sem pensar se combina com o feed ou se as pessoas vão entender. Nela, eu posso mostrar o que quero sem medo de parecer demais”. Com a moda dos diários, muita gente está se tornando low profile nas contas principais e criando outras para se expressar livremente. A criadora de conteúdo, em sua conta principal, é mais reservada, enquanto na outra consegue mostrar mais liberdade e personalidade. No daily, Thayssa compartilha sua rotina (Arquivo Pessoal) “Mesmo o meu daily sendo um perfil aberto, ele acabou se tornando o lugar onde me sinto mais à vontade, tenho mais interações e converso com várias meninas diferentes e crio conexões. É meio que um espaço de guardar momentos e mostrar um pouco da rotina real, sem precisar planejar nada”. A era do low profile Por outro lado, ser low profile também é uma das formas da nossa geração se expressar, sendo uma maneira de não expor tudo o que está vivendo e deixando os outros curiosos. O técnico de informática Marcos Vinícius Martins Menezes, de 22 anos, escolheu seguir esse caminho. Ele conta que nunca procurou essa tendência, mas que a vê como uma forma de se afastar de viver postando tudo, optando por deixar a superexposição de lado. “Ser low profile ajuda a manter minha saúde mental saudável, fugindo de certas comparações pessoais”. Segundo ele, viver mais fora do mundo digital, sem precisar registrar tudo, é muito mais leve e agradável. “Acho que viver o momento e manter certas memórias pra si mesmo é uma das melhores decisões que se pode tomar” #APSICOLOGIA EXPLICA A psicóloga Gabriela Geisa Ferreira Pimenta explica que esses movimentos têm chamado atenção por surgir em uma geração marcada pela hiperconexão. Muitos jovens passaram a perceber os efeitos da superexposição na saúde mental e a buscar um uso mais consciente e equilibrado das redes sociais. “A necessidade de se mostrar o tempo todo pode gerar ansiedade e sensação de estar sempre sendo observado ou avaliado, o que faz com que alguns optem por uma presença mais discreta e seletiva on-line”. Ser low profile virou uma forma de escolher melhor o que a gente compartilha e, ao mesmo tempo, cuidar da saúde mental. Afinal, a internet muitas vezes vive cheia de comparações, idealizações e aquela busca constante por likes e aprovação.“Em muitos casos, é uma tentativa de recuperar privacidade, de se sentir mais autêntico e menos pressionado a performar uma vida perfeita”, complementa Gabi. Ela destaca que “o equilíbrio é essencial, pois as redes sociais são apenas uma parte da vida social, não o todo. O importante é manter vínculos fora da tela, cultivar relações reais e cuidar para que nem o excesso de exposição nem o isolamento se tornem extremos”. Quanto aos dailys, a psicóloga explica que muitas vezes eles funcionam como um refúgio para se expressar de forma genuína, em um contexto onde tudo parece público demais. “Isso fala sobre pertencimento e autenticidade”.