A coordenadora pedagógica Adriana Guimarães lembra que as empresas que atuam nas áreas de tecnologia, saúde, indústria e serviços são as mais interessadas nas habilidades específicas dos cursos técnicos (Vanessa Rodrigues/ AT) O jovem que irá cursar o Ensino Médio certamente já está de olho no mercado de trabalho. E esta fase de aprendizagem pode ser a definição para isso, caso ele opte por fazer um curso técnico. Para se ter uma ideia, um estudo lançado em 2023 pelo Insper, instituição sem fins lucrativos dedicada ao ensino e à pesquisa, concluiu que a renda desse jovem seja 32% maior do que aquele que passou pelo Ensino Médio. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Professor no Instituto Federal de São Paulo, de Cubatão, e na Unisanta, em Santos, Maurício Neves Asenjo afirma que o Ensino Técnico é suficiente para antecipar o ingresso no chamado mercado qualificado de trabalho. “Digo antecipar, pois o curso técnico pode, na maioria das vezes, ser feito paralelamente ou de forma integrada ao Ensino Médio. Assim, ao se formar com 18 ou 19 anos, o jovem já possui efetivamente uma profissão, muitas vezes até reconhecida pelos conselhos regionais, como o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea), estando apto a assumir cargos e funções que exijam formação técnica especializada, onde consequentemente serão mais bem remunerados”, explica. A coordenadora pedagógica do Ensino Técnico do Liceu Santista, Adriana Regina Stucchi Guimarães, lembra que as empresas que atuam nas áreas de tecnologia, saúde, indústria e serviços são as mais interessadas nas habilidades específicas dos cursos técnicos, trazidas de forma mais prática e direta, em um curto espaço de tempo. Pesquisa realizada pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) entre 2021 e 2023 indicou que a área de Mecânica é a que oferecia maior índice de empregabilidade (96,5%) - veja ranking no quadro ao lado. “Entretanto, a suficiência do Ensino Técnico depende de alguns fatores, como a qualificação da instituição, o empenho do estudante em adquirir experiência prática e, muitas vezes, a atualização constante das habilidades”, afirma. “Vale lembrar que é muito importante ter um corpo docente capacitado e que atuem nas áreas a qual lecionam e que a escolha do curso seja feita para uma área com alta empregabilidade e estar sempre se atualizando. Isso faz com que os formandos sejam mais atraentes para os empregadores que buscam profissionais já prontos para atuar”, emenda. Escolha mais assertiva Maurício Neves Asenjo também levanta uma outra vantagem do aluno do curso técnico: o maior acerto na seleção da faculdade. “Com minha experiência, percebo que, muitas vezes, o aluno que entra em um curso superior acaba se desiludindo e desistindo. Há vários motivos para essa evasão. Os motivos de ordem econômica talvez sejam os principais, mas podemos citar também o desconhecimento do curso ou área que abraçou e a falta de aptidão. E o aluno do curso técnico também é favorecido neste sentido, pois o conhecimento prévio da área de formação propiciará uma escolha mais assertiva”, justifica. () Cursos técnicos não substituem faculdade Apesar das inegáveis qualidades e possibilidades do Ensino Técnico para os estudantes, os especialistas em educação são categóricos: ele não pode substituir a faculdade. A coordenadora pedagógica do Ensino Técnico do Liceu Santista, Adriana Regina Stucchi Guimarães, lembra que as principais diferenças entre os dois estão no foco e nos objetivos profissionais do indivíduo. “No curso técnico, tem a vantagem de ser mais focado em habilidades práticas e em uma formação mais rápida, permitindo ao estudante entrar no mercado de trabalho em menos tempo. Alguns setores, especialmente em áreas tecnológicas ou industriais, o Ensino Técnico é bastante valorizado, mas, em outros, a graduação ainda é vista como um requisito essencial para crescimento profissional ou ascensão a cargos mais altos. Portanto, depende de vários fatores, como a área de interesse, o tipo de carreira e as exigências do mercado de trabalho”, argumenta. Professor no Instituto Federal de São Paulo, de Cubatão, e na Unisanta, em Santos, Maurício Neves Asenjo afirma que o curso técnico é um excelente primeiro passo para uma carreira de sucesso, que deve ser sucedida por uma formação superior, certificações profissionais, pós-graduações e outras qualificações. “No Ensino Técnico, o foco está em ‘ensinar a fazer’ e muitas escolas fazem isso com excelência. A carga horária de atividades práticas em um curso técnico é muito grande, sacrificando conceitos e fundamentos teóricos”, explica. “A evolução será inevitável, e cada vez mais rápida. O ser humano será cada vez mais cobrado a ser resiliente. A atualização e o aprendizado deverão ser constantes”, completa. Mantenedora da Saint Mary’s Bilingual School, com unidades em Santos e São Vicente, a mestre e doutora Meilyng Leone ressalta que os Ensinos Técnico e Superior se complementam. “É uma escolha muito inteligente cursar o Ensino Técnico, porque você consegue ter um aprendizado diferenciado durante esse período em que, geralmente, o aluno ainda está ali no Ensino Médio, com menos responsabilidades na vida por ser mais jovem. O tempo de aprendizado e de estudo é otimizado”.