Para muitos estudantes, chegar à universidade exige mais do que o conhecimento adquirido durante o Ensino Médio. Com vestibulares cada vez mais concorridos, cursos pré-vestibulares se tornaram uma alternativa em busca de preparação direcionada. Mas, diante do investimento financeiro e da dedicação exigida, fica a dúvida: vale a pena? Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A estudante de Medicina Sophia Villanova Ramalho de Brito Barbosa, de 19 anos, moradora do Itararé, em São Vicente, afirma ter percebido na reta final do terceiro ano do Ensino Médio que dominar os conteúdos da escola não era suficiente para garantir uma vaga na faculdade. “Eu vi que não passei (no vestibular) por muito pouco”, conta. Foi neste momento que ela diz ter entendido a diferença entre ser uma boa aluna e estar preparada para enfrentar um vestibular. Sophia fez um ano de cursinho antes de conquistar a vaga em Medicina. Para ela, um dos principais diferenciais foi o direcionamento oferecido pelos professores, que conhecem as características das provas e conseguem apontar quais conteúdos e estratégias devem receber maior atenção. A estudante também precisou mudar a própria rotina e aprender a revisar conteúdos que já havia estudado. Hoje, Sophia está no segundo período da faculdade e considera que o investimento compensou. “Valeu muito a pena”. Rotina de estudos Para André Macedo Del Rio do Valle, de 18 anos, morador do Marapé, em Santos, o cursinho também representa uma mudança na rotina. Ele, que pretende cursar Direito, começou a preparação depois de perceber que estudar sozinho não oferecia o mesmo direcionamento. A adaptação, porém, exige esforço. André tem aulas pela manhã e reserva a tarde para estudar. A rotina inclui horas de concentração, revisão e exercícios. “É muito difícil você entrar nessa rotina de ter as aulas e depois ter que focar e ficar quatro horas, sentar na cadeira e ter essa resistência de conseguir estudar bastante”. No fim, a aprovação não depende apenas da matrícula em um curso. Para Sophia, o estudante precisa confiar no processo e entender que cada trajetória tem seu próprio tempo. “Vai dar certo no final, mas pode não ser naquela faculdade, naquele curso ou naquele ano”. Preparação direcionada Juliana Ferreira Justo Salgado Alves Silva, diretora pedagógica do cursinho Prevest Santos Poliedro, observa mudanças no perfil dos estudantes. A procura por este tipo de apoio aumentou após a pandemia e, na Baixada Santista, cada vez mais jovens se mostram interessados em estudar em universidades de outras regiões do Estado e do País. Na avaliação da diretora, uma das principais funções do cursinho é ensinar o aluno a estudar. A rotina do vestibular é diferente daquela encontrada no Ensino Médio, já que o candidato precisa manter contato constante com conteúdos de diversas disciplinas. “O curso pré-vestibular cria uma maturidade de estudo”, afirma. O acompanhamento do desempenho também foi potencializado pela tecnologia. Segundo Juliana, plataformas permitem a análise de resultados de simulados, com identificação dos conteúdos que geram mais dificuldade a cada aluno. Com essas informações, é possível direcionar os estudos. Simulados presenciais também são utilizados, preparando os jovens para os exames em si e a necessidade de lidar com fatores como cansaço, tempo limitado e um ambiente diferente da própria casa.