Estudo mostra que a motivação psicológica por trás da corrida faz diferença (Divulgação / PMC) Para muitos, calçar os tênis e sair para correr representa mais do que exercício físico: é uma válvula de escape dos problemas diários. Mas quando esse hábito se torna uma fuga constante, pode surgir um novo problema. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Um estudo da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia, publicado na revista Frontiers in Psychology, revelou que cerca de um em cada quatro corredores que usam a corrida como meio de evitar sentimentos desagradáveis demonstra sinais de dependência da atividade. A pesquisa e seus achados No levantamento, 227 corredores que praticavam entre duas e 15 horas semanais responderam a questionários sobre bem-estar, motivação para correr e sintomas de vício em exercício. Entre as afirmações avaliadas estavam: “eu uso a corrida para evitar pensar em coisas difíceis” e “quero fugir de mim mesmo”. Aqueles que concordaram com essas frases demonstraram maior probabilidade de apresentar comportamento de dependência. Os pesquisadores concluíram que a motivação para correr tem grande impacto sobre o nível de risco: quem corre majoritariamente para escapar de sentimentos negativos ou situações estressantes mostrou padrão de uso que ultrapassa o nível saudável, migrando para um uso compulsivo ou dependente da corrida. Por que isso importa? Embora o exercício regular seja unanimemente recomendado para a saúde física e mental, esse estudo destaca que a motivação psicológica por trás da prática faz diferença. Quando a corrida deixa de ser uma escolha prazerosa ou funcional e passa a funcionar predominantemente como fuga, pode: Reduzir a capacidade de lidar com emoções de forma saudável; Levar a um ciclo de culpa ou ansiedade caso o exercício não ocorra; Aumentar o risco de lesões, já que o “obrigar-se” a correr pode levar a exageros e negligência de sinais do corpo. O que os especialistas recomendam Especialistas em saúde mental e esporte sugerem combinar a corrida com: Reflexão sobre a motivação: Pergunte-se por que você corre é pela saúde, prazer, performance ou fuga emocional? Variedade nas atividades: Alternar com outras formas de exercício ou lazer pode evitar que a corrida se torne o único meio de fuga. Atenção aos sinais de alerta: Por exemplo, sensação de culpa intensa se não correr, ansiedade crescente antes da corrida, ou uso da corrida para evitar enfrentar problemas. Apoio psicológico: Se a corrida estiver sendo usada como mecanismo regular de evasão, pode valer a pena conversar com psicólogo ou profissional de saúde mental para identificar os gatilhos emocionais e desenvolver formas mais adaptativas de enfrentamento. Para quem já está atento Se você é corredor habitual, reflita sobre estas questões: Você já sentiu que precisa correr para “dar conta” das emoções? Se não correr por um dia, sente culpa ou ansiedade intensa? A corrida ocupa quase todo o seu tempo livre ou interfere com outras áreas da vida? Você corre mesmo quando está cansado, machucado ou doente para não “quebrar a sequência”?Se a resposta for sim para várias dessas perguntas, pode ser hora de reavaliar sua relação com a corrida.