A Copa do Mundo costuma transformar a rotina das cidades brasileiras. Torcidas reunidas, fogos de artifício, buzinas e comemorações fazem parte da tradição durante os jogos da Seleção Brasileira. Para muitas famílias, porém, esse período exige atenção especial, principalmente quando há crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O aumento repentino de estímulos sonoros e as mudanças na rotina podem gerar desconforto, ansiedade e até crises em crianças que apresentam hipersensibilidade sensorial. Diante desse cenário, especialistas orientam que o planejamento antecipado e a adaptação dos ambientes são fundamentais para garantir mais segurança e bem-estar. Segundo a psicóloga Beatriz Paixão, gerente clínica regional do Instituto ALMAI, é importante preparar a criança para as alterações que costumam ocorrer durante a competição. “No período da Copa, há uma quebra na rotina e um aumento de estímulos, como fogos, buzinas, som alto, além da suspensão de aulas. Por isso, é fundamental preparar a criança com antecedência”, explica. Uma das estratégias recomendadas é o uso de calendários visuais para mostrar os dias dos jogos e explicar, de forma simples e objetiva, o que poderá acontecer. A previsibilidade ajuda a reduzir a ansiedade e aumenta a sensação de segurança. Além disso, os especialistas orientam que as famílias criem um ambiente acolhedor para que a criança possa se afastar quando necessário. Espaços mais silenciosos, com objetos familiares e recursos que auxiliem na autorregulação emocional, ajudam a evitar a sobrecarga sensorial. A terapeuta ocupacional Karina Rodrigues Matavelli Rosa destaca a importância de observar os sinais que antecedem uma crise. “É importante que os responsáveis estejam atentos aos sinais que a criança dá antes de uma crise, como irritabilidade, tentativa de se isolar ou sensibilidade a sons. Intervir nesse momento, oferecendo uma pausa ou retirando do ambiente, pode evitar um agravamento do quadro”, orienta. Entre os recursos que podem ajudar estão abafadores de som, brinquedos sensoriais, atividades reguladoras e a manutenção dos horários habituais de alimentação e sono. Como agir durante uma crise Caso a criança apresente uma crise, o foco deve ser reduzir os estímulos e garantir a segurança. Segundo Karina, não é o momento de exigir explicações ou corrigir comportamentos. “O mais importante é diminuir os estímulos ambientais e oferecer estratégias que ela já reconheça como reguladoras. Após a reorganização sensorial e emocional, a criança estará mais disponível para retornar às atividades e interações”, afirma. O Instituto ALMAI ressalta que a participação nas atividades relacionadas à Copa não precisa ser evitada. Com adaptações adequadas e respeito às necessidades individuais, as crianças podem vivenciar os momentos de confraternização de forma mais confortável. Dicas para tornar a Copa mais tranquila Utilize um calendário visual com as datas dos jogos e possíveis mudanças na rotina; Combine previamente períodos para assistir às partidas e momentos de pausa; Tenha por perto brinquedos, lanches ou objetos de interesse da criança; Explique antecipadamente que podem ocorrer gritos, fogos ou buzinas durante os jogos; Considere o uso de abafadores de som ou redução do volume da televisão; Disponibilize um ambiente tranquilo para descanso caso a criança precise se afastar; Observe sinais de desconforto, como agitação, irritação ou tentativa de tapar os ouvidos; Priorize pausas antes que o estresse evolua para uma crise. Se a criança não se sentir confortável para acompanhar a partida, atividades já conhecidas podem ajudar a manter o bem-estar, como assistir a desenhos, montar quebra-cabeças, desenhar, brincar com massinha, ouvir músicas relaxantes ou permanecer em um ambiente mais silencioso. Para os especialistas, pequenas adaptações, previsibilidade e acolhimento são as principais ferramentas para que as famílias aproveitem a Copa do Mundo com mais tranquilidade e segurança.