PIB da construção em 2026 será puxado pelo consumo das empresas e das famílias, diz balanço do FGV/Ibre (Alexsander Ferraz/AT) O Produto Interno Bruto (PIB) da construção vai crescer 1,8% neste ano, abaixo da previsão feita no início de 2025, de 2,2%, segundo o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), que divulgou o balanço do setor. Para 2026, a entidade patronal estima uma expansão mais robusta, de 2,7%. No terceiro trimestre deste ano, foi verificada alta de 1,3%, contra duas quedas nos trimestres anteriores (0,7% no primeiro e 0,3% no segundo). Até setembro, o acumulado era de 1,7%. “A construção se encontra no terceiro trimestre do ano em um patamar bastante forte. O PIB da construção deve ficar, mesmo assim, em patamar muito acima do que estava na pré-pandemia”, afirma a coordenadora de Projetos da Construção do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre), Ana Maria Castelo. O levantamento do Sinduscon também mostrou uma desaceleração no ritmo de contratações no setor formal da construção civil. Nos últimos 12 meses a construção registra um estoque de mão de obra com uma alta de 4,1%. A escassez de pessoal ainda é a principal dificuldade das empresas. O custo com contratação de profissionais deve aumentar 10% no ano. A coordenadora da FGV/Ibre reforça a importância de iniciativas como o programa Minha Casa, Minha Vida como forte impulso ao mercado da construção civil. Foram realizadas quase 400 mil contratações pelo programa em 2025. “Isso era algo que nós esperávamos. Dada a dificuldade para a média e alta rendas, o programa segue como alavancador no mercado”, afirma Ana Castelo. Crédito às empresas Ela afirma ainda que houve uma queda expressiva, principalmente no financiamento às construtoras (para empresas, não às pessoas físicas). “Uma parte desse financiamento acabou sendo realizada com recursos de mercado a custo mais alto, uma dificuldade adicional que as empresas tiveram que enfrentar em 2025”. Cimento dá o ritmo A coordenadora de Projetos da Construção do FGV/Ibre, Ana Maria Castelo, destaca o aumento do consumo de cimento. Segundo o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (Sinc), houve elevação de 3,6% no acumulado de 2025 até outubro. Já a indústria e o comércio de materiais de construção apresentaram quedas, respectivamente, de 0,7% e 0,1%. Da demanda por materiais de construção, 47% destinaram-se às famílias. “A essa altura do ano, o comércio de materiais crescia mais de 5%. O PIB cresceu 4,4% na construção em 2024. Em 2025, a gente vê a mudança. Tem a indústria de materiais e o comércio praticamente estáveis, com um viés de queda. Houve, de fato, uma desaceleração muito grande do consumo das famílias”, afirma Ana Castelo. Segundo ela, o cimento é a base de tudo e tem praticamente nada de importação e exportação. “O consumo do cimento fala muito do que está acontecendo na atividade naquele momento. Claro, tem muito a ver com os próprios estágios do ciclo produtivo. Obras que estão mais na fase final não consomem tanto cimento. Mas a infraestrutura consome bastante cimento. De qualquer forma, é um indicador importante”. Infraestrutura Segundo os dados do Sinduscon-SP, o País deve fechar o ano com R\$ 280 bilhões em investimentos no setor, o que representa um crescimento de 3,9%, com maior protagonismo do investimento privado. “Isso se deve também aos leilões de concessão realizados nos anos recentes, inclusive em 2025”. Isenção do IR e novas linhas Para 2026, a expectativa do setor da construção civil esbarra em alguns fatores condicionantes, tanto positivos como negativos. As incertezas giram em torno de questões geopolíticas, situação fiscal e a taxa básica de juros elevada, de 15% ao ano. A nova faixa de isenção do Imposto de Renda (até R\$ 5 mil), por outro lado, é bem-vista. “O programa Reforma Casa Brasil, com R\$ 40 bilhões, por exemplo, tem um potencial de impacto bastante significativo que pode gerar mais emprego e mais renda”, diz Ana Maria Castelo, do FGV/Ibre. O presidente do Sinduscon-SP, Yorki Estefan, espera a expansão da Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida, voltada à classe média. “As empresas prepararam produtos para se enquadrar no Faixa 4 para serem lançados agora”. Com isso, o FGV/Ibre espera para 2026 um crescimento de 2,7%, puxado pelas empresas (2,8%) e pelas famílias (2,6%).