(Divulgação / FreePik) “Você é impossível!”, “Para de chorar!”, “Por que não é igual ao seu irmão?” — frases como essas são comuns em muitas casas e, na maioria das vezes, são ditas sem intenção de ferir. No entanto, segundo especialistas em psicologia infantil, essas expressões podem deixar marcas emocionais duradouras e comprometer o desenvolvimento afetivo da criança. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Os pais geralmente não têm a intenção de machucar, mas as palavras têm um peso enorme na formação emocional, . A linguagem dos adultos é interpretada pela criança de forma literal. O que pode parecer um desabafo para o pai ou a mãe, é recebido por ela como rejeição ou falta de amor. 1. “Você é impossível!” Usada para expressar impaciência, essa frase transmite a ideia de que a criança é um problema e não que está com um problema. A mensagem implícita é de que ela é difícil, inadequada. Isso afeta diretamente a autoestima e a noção de valor pessoal. Como substituir: “Eu sei que você está agitado agora, mas vamos respirar juntos e tentar resolver.” 2. “Para de chorar, não foi nada!” Negar o sentimento da criança é uma forma de invalidar sua emoção. Segundo Renata, isso pode levá-la a reprimir o que sente, desenvolvendo dificuldades de expressão emocional na vida adulta. Como substituir: “Eu entendo que você ficou triste. Quer me contar o que aconteceu?” 3. “Olha o que você fez!” Frase com tom acusatório, costuma gerar culpa e medo, principalmente em crianças pequenas. “Elas aprendem a associar o erro ao fracasso, e não à oportunidade de aprender. Isso pode gerar insegurança e evitar que tentem novamente”, destaca a especialista. Como substituir: “Tudo bem, acidentes acontecem. Vamos pensar juntos em como podemos consertar isso?” 4. “Você é muito sensível” Muitos pais dizem isso tentando “endurecer” os filhos diante das dificuldades, mas o efeito é oposto: a criança aprende que sentir é errado. A sensibilidade é uma característica natural e importante para a empatia. Desvalorizá-la é um erro grave. Como substituir: “Está tudo bem sentir isso. Vamos conversar sobre o que te deixou assim.” 5. “Por que você não é igual ao seu irmão (ou colega)?” Comparações são extremamente nocivas. Elas criam rivalidade, minam a autoconfiança e fazem a criança acreditar que nunca será boa o suficiente. Cada criança tem seu ritmo e suas habilidades. A comparação é uma das principais causas de baixa autoestima infantil. Como substituir: “Cada um tem o seu jeito. Estou orgulhoso de ver o seu esforço.” 6. “Se você não parar, vou embora!” Frase com forte carga emocional, pode causar medo e ansiedade. O abandono é um dos maiores temores de qualquer criança. Usar isso como ameaça abala a segurança emocional e o vínculo de confiança com os pais. Como substituir: “Vamos conversar sobre o que está acontecendo. Estou aqui e quero te ajudar.” 7. “Você me deixa triste” Embora pareça uma tentativa de sensibilizar, essa frase transfere à criança a responsabilidade pelos sentimentos do adulto, algo que ela não tem maturidade para compreender. Isso gera culpa e confusão emocional, pois a criança começa a acreditar que é responsável pela felicidade dos pais. Como substituir: “Eu fico triste com essa situação, mas nós podemos resolver juntos.” As palavras constroem (ou destroem) vínculos De acordo com os especialistas, o modo como os adultos se comunicam com as crianças é determinante para o desenvolvimento emocional, o senso de pertencimento e a autoconfiança. A infância é o período em que a autoestima é moldada. O que os pais dizem e como dizem é o que a criança acreditará sobre si mesma. Além de evitar frases negativas, o ideal é investir em comunicação empática e acolhedora. Validar os sentimentos, oferecer alternativas e manter o diálogo aberto são atitudes que fortalecem o vínculo e favorecem o aprendizado emocional. Educar não é calar ou corrigir o tempo todo, é ensinar com afeto. Crianças aprendem pelo exemplo e pelo tom de voz. Quando os pais falam com respeito, elas aprendem a se respeitar também.