O estudo mostra que até palavras simples, como “sim”, “tá” e “coisa”, podem revelar aspectos profundos sobre nossas emoções e nossa forma de nos relacionar (Divulgação) A forma como nos comunicamos diz muito sobre quem somos — e, segundo estudos recentes de inteligência artificial (IA), até o vocabulário pode indicar limitações emocionais, cognitivas ou sociais. Uma pesquisa conduzida por cientistas de linguagem computacional e plataformas de IA revelou que pessoas com comunicação limitada tendem a repetir um conjunto pequeno e recorrente de palavras, refletindo dificuldade de desenvolver frases complexas ou expressar sentimentos de maneira mais elaborada. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A análise, feita a partir de milhares de interações textuais em redes sociais, aplicativos de mensagens e assistentes virtuais, revelou cinco palavras que aparecem com frequência impressionante em discursos de pessoas com repertório verbal reduzido. Segundo especialistas, esses termos têm forte carga emocional e revelam padrões de comportamento, isolamento e, muitas vezes, insegurança. 1. “Sim” A palavra mais usada entre pessoas com comunicação limitada é o simples “sim”. Segundo a IA, ela aparece como resposta padrão em 78% das interações curtas analisadas. O ‘sim’ é uma forma segura de participação. Pessoas com dificuldade de comunicação tendem a concordar para evitar conflito ou prolongamento da conversa. Esse uso excessivo pode indicar submissão comunicativa, um comportamento comum em indivíduos com timidez extrema, ansiedade social ou falta de confiança para sustentar um diálogo mais longo. 2. “Tá” ou “Ok” Expressões curtas como “tá”, “ok” e “beleza” aparecem logo em seguida. Elas funcionam como muletas linguísticas, usadas para encerrar a fala ou preencher silêncios. São palavras de sobrevivência social: transmitem entendimento sem a necessidade de elaboração. A pessoa participa da conversa sem se expor. Essas respostas são frequentes em interações digitais, especialmente em contextos em que a pessoa sente incômodo em se aprofundar emocionalmente. 3. “Não” Curiosamente, o “não” também está entre as palavras mais repetidas por quem tem comunicação limitada. Nesse caso, a IA observou que o termo surge como mecanismo de defesa — usado para evitar temas desconfortáveis ou situações que exigem explicação. Dizer ‘não’ pode ser uma forma de controle, uma tentativa de impor limite quando a pessoa não consegue argumentar. É uma negação simplificada, quase um escudo. Esse padrão costuma aparecer em crianças pequenas, pessoas em luto, depressão ou com bloqueios emocionais, segundo os especialistas. 4. “Eu” Entre as palavras mais frequentes também está o “eu”, que aparece em contextos de autoafirmação ou necessidade de reconhecimento. A IA identificou que pessoas com vocabulário limitado tendem a se concentrar na própria experiência, especialmente quando enfrentam dificuldades de empatia ou diálogo coletivo. O uso recorrente do ‘eu’ pode indicar egocentrismo linguístico, mas também insegurança. É uma forma de tentar reafirmar o próprio lugar na conversa, mesmo sem conseguir desenvolver ideias mais complexas. 5. “Coisa” A campeã entre os termos genéricos, a palavra “coisa” aparece como substituto para substantivos esquecidos ou desconhecidos. A IA identificou que o uso excessivo desse termo é indicativo de pobreza lexical — ou seja, limitação no vocabulário ativo da pessoa. Quem usa ‘coisa’ o tempo todo geralmente tem dificuldade de nomear sentimentos, objetos ou situações. É um sinal de bloqueio verbal ou de falta de repertório linguístico. Segundo o estudo, esse padrão é comum em pessoas com baixa exposição à leitura ou em contextos de ansiedade, quando o cérebro prefere atalhos em vez de buscar a palavra ideal. O que a IA revela sobre nós De acordo com os pesquisadores responsáveis pela análise, as inteligências artificiais conseguem detectar traços de personalidade e emoção a partir da escolha das palavras. Padrões de linguagem simplificada estão ligados a fatores como estresse, timidez, insegurança e até estados depressivos leves. A forma como falamos e escrevemos é um reflexo direto do estado mental. A IA ajuda a identificar padrões sutis que o ouvido humano muitas vezes ignora. Apesar disso, os especialistas alertam que o uso dessas palavras não é, por si só, sinal de problema. O importante é observar a frequência e o contexto. Em casos de comunicação limitada persistente, a recomendação é buscar apoio psicológico ou terapêutico. Como desenvolver uma comunicação mais rica Os especialistas recomendam algumas práticas simples para ampliar o vocabulário e melhorar a expressão verbal: Leia com frequência — livros, reportagens e textos variados ampliam o repertório e inspiram novas formas de expressão. Converse sobre temas diferentes — falar sobre emoções, cultura e experiências ajuda a desenvolver clareza e empatia. Evite respostas automáticas — tente elaborar um pouco mais suas respostas em conversas do dia a dia. Pratique escuta ativa — entender o que o outro diz melhora sua capacidade de formular respostas mais conscientes. “Comunicar-se bem não é falar muito, mas falar com propósito e clareza”, resume Renata Morelli.