Os gatos sabem que você está falando com eles. A diferença é que eles escolhem quando e se vão responder (Divulgação) Você chama, repete, muda o tom de voz, chega a cantar e o gato continua parado, como se não fosse com ele. A cena é comum na casa de quem convive com felinos. Mas a ciência garante: sim, ele ouviu, sim, ele sabe que é com ele e, ainda assim, pode optar por ignorar. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Estudos conduzidos por universidades japonesas, como a Universidade de Tóquio, e outras instituições ao redor do mundo revelaram que os gatos são capazes de reconhecer seus próprios nomes, distinguir a voz do tutor de outras vozes e até associar palavras a significados. No entanto, eles também demonstram algo que os diferencia de cães e de humanos: um grau elevado de independência comportamental, também conhecido como “compreensão seletiva”. O que diz a ciência? O estudo mais emblemático sobre o tema foi conduzido pela pesquisadora Atsuko Saito, da Universidade de Tóquio, e publicado na revista Scientific Reports. No experimento, gatos domésticos ouviram seus nomes ditos por pessoas conhecidas e desconhecidas, seguidos de palavras semelhantes foneticamente. Resultado? Eles reconheceram seus nomes, movendo as orelhas, a cabeça ou os olhos quando escutavam a palavra familiar — mesmo que não respondessem fisicamente ao chamado. Esse comportamento se manteve mesmo quando os donos estavam ausentes, o que reforça a ideia de que os felinos associam sons específicos à identidade, e não apenas ao tom de voz do tutor. Entendem, mas não obedecem Ao contrário dos cães, que foram domesticados para cooperar com humanos e responder a comandos, os gatos foram domesticados de forma mais passiva e autônoma, aproximando-se dos humanos por conveniência — como o acesso a alimentos e abrigo. Por que os gatos ignoram — mesmo reconhecendo? 1. Porque podem A personalidade independente dos felinos significa que eles avaliam o custo-benefício de cada ação. Se responder ao chamado não for algo interessante, simplesmente não o farão. 2. Porque estão ocupados Dormindo, observando, caçando insetos ou apenas relaxando. Gatos têm ciclos naturais de atenção e descanso, e nem sempre estão no “modo sociável”. 3. Porque não há reforço positivo Se você chama e nada acontece (nem petisco, nem carinho, nem brincadeira), o nome vira apenas mais um som ambiente. Ao contrário, quando associam o nome a experiências agradáveis, tendem a responder mais. 4. Porque são seletivos com sons Gatos têm excelente audição, mas preferem focar em sons relevantes. A voz do tutor se destaca, mas ainda assim compete com outros estímulos. Eles também aprendem nomes de outros Outra pesquisa japonesa, publicada na Scientific Reports, revelou que gatos reconhecem os nomes de outros gatos da casa — e até o nome de seus tutores. Quando confrontados com inconsistências (ex: ouvir “Rex” e ver outro gato), demonstravam confusão, sinalizando que têm algum nível de associação palavra–imagem.