O mercado imobiliário da Baixada Santista se retraiu no segundo trimestre com queda de 28% nas vendas, com 578 unidades novas, frente às 806 em igual período do ano passado. Os dados são do Panorama Imobiliário da Baixada Santista, pesquisado pela Brain Inteligência Estratégica para o Sindicato das Empresas de Compra e Venda de Imóveis de São Paulo (Secovi-SP). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Na comparação entre primeiros semestres, foram vendidas 1.895 unidades neste ano, frente a 1.996 em 2025, um recuo de 5%. A pesquisa também apontou que no segundo trimestre foram lançados (imóveis na planta ou em construção) 155 apartamentos na região, contra 708 no mesmo período de 2025, uma queda de 78%. No acumulado do primeiro semestre, foram lançadas 1.175 unidades no primeiro semestre, frente a 1.623 em igual período de 2025, uma redução de 28%. Para o sócio consultor da Brain, Marcelo Gonçalves, o comportamento dos lançamentos demonstra uma postura mais cautelosa dos incorporadores diante do cenário econômico. “Nós tivemos um baixo número de lançamentos. Isso mostra que o mercado lançador (incorporadores) está mais retraído”. Segundo ele, a análise do semestre é mais adequada para compreender o movimento, já que o segundo trimestre apresenta uma sazonalidade histórica na região. “Após um semestre, podemos dizer que o incorporador está menos confiante no mercado e segurou os lançamentos”, afirma. De acordo com o diretor regional do Secovi-SP, Carlos Meschini, o resultado do segundo trimestre deve ser analisado dentro do contexto do primeiro. Conforme ele, apesar da redução entre abril e junho, o mercado mantém equilíbrio entre oferta e demanda. “O mercado apresenta um comportamento bastante equilibrado em relação ao mesmo período do ano anterior. Lançamentos e vendas seguem compatíveis com a demanda, demonstrando que o mercado permanece saudável, ainda que com oscilações pontuais entre um trimestre e outro”. Meschini afirma que o volume menor de lançamentos já era esperado pelo setor. De acordo com ele, o ambiente econômico exige maior cautela das incorporadoras e os empreendimentos passam por processos cada vez mais longos de planejamento e aprovações. “Esses fatores acabam influenciando o ritmo dos lançamentos, sem comprometer, entretanto, os fundamentos do mercado imobiliário regional”, Para Gonçalves, a queda mais acentuada dos lançamentos do que das vendas é um dos principais resultados da pesquisa. “A gente tem uma pisada no freio dos lançamentos, mas o comprador apenas arrefeceu. Ele diminuiu 5% do número de compras. Então o mercado continua comprador”. O diretor da Brain avalia que a redução dos lançamentos não significa, neste momento, excesso de imóveis parados. Segundo ele, a menor entrada de novos produtos permite justamente o consumo do estoque que já estava disponível. “Como lançamos menos, temos consumo de estoque. E aí a gente percebe o mercado equilibrado e saudável”. Segmento econômico sofre maior retração A pesquisa da Brain também apontou queda de queda de 44% do Valor Geral Lançado (VGL) no segundo trimestre, na comparação com o mesmo período do ano passado. Nas vendas, houve um recuo de 65% no segmento econômico e alta de 16% nos demais padrões, na mesma base de comparação. O diretor da Brain Inteligência Estratégica, Marcelo Gonçalves, relaciona a cautela dos incorporadores ao cenário de juros elevados, que afeta tanto as empresas responsáveis pelos empreendimentos quanto os consumidores que dependem de financiamento. “Somos dependentes dos juros dos dois lados, do incorporador, que toma crédito, e do comprador, que precisa do financiamento”. Na avaliação de diretor regional do Secovi-SP, Carlos Meschini, além dos juros elevados, outros fatores contribuem para um comportamento mais conservador das incorporadoras. “Os empreendimentos continuam em processo de desenvolvimento e maturação de projetos em toda a Baixada Santista. Naturalmente, momentos de maior incerteza econômica, influenciados por fatores como juros elevados, cenário macroeconômico e períodos eleitorais, podem levar as empresas a adotarem um ritmo mais cauteloso no lançamento de novos produtos”. Segundo ele, o custo do crédito impacta diretamente toda a cadeia da incorporação imobiliária. Apesar disso, Meschini ressalta que o desempenho das vendas permanece relevante quando considerado o histórico recente. Segundo Gonçalves, o mercado imobiliário viveu um período excepcional depois da pandemia, com sucessivos recordes de lançamentos e vendas, o que também elevou a base de comparação.