sensação de “cair” quando cochilamos é, em grande parte, resultado de um fenômeno neurológico chamado Mioclonia Noturna (Reprodução TV) Você estava no ônibus, o corpo pesado de sono, e de repente um sobressalto: a sensação de que está caindo, peito apertado, coração disparado e então acorda com um pulo. Esse “pequeno susto” é muito mais comum do que se imagina e tem um nome: Mioclonia Noturna. Pode acontecer em situações cotidianas, como nos cochilos no transporte público em viagens longas e normalmente é inofensivo. Mas, em alguns casos, pode indicar algo além do mero “sobressalto”. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O que é mioclonia noturna? “Mioclonia Noturna” é o nome atribuído aos espasmos musculares involuntários e rápidos que ocorrem logo no início do sono ou durante o adormecer, muitas vezes provocando a sensação de queda ou de sacudida súbita do corpo. Esses eventos podem envolver pernas, braços, tronco ou até o corpo inteiro e costumam durar frações de segundo. Essa reação, que muitos já vivenciaram ao “cair” do sono, pode ser classificada como um tipo de mioclonia fisiológica, normalmente benigna. Segundo especialistas, quando ocorre pontualmente, não há motivo para alarme. Por que sentimos esse “pulo” ao cochilar? Várias hipóteses tentam explicar esse fenômeno: Durante o estágio inicial do sono, o corpo começa a relaxar: os músculos mais superficiais desativam-se e o tônus muscular diminui. Esse relaxamento pode provocar uma contração repentina (mioclonia) que o cérebro interpreta como queda. O momento em que adormecemos normalmente já é instável: a consciência diminui e o sistema nervoso central pode “sobreagir” ao relaxamento abrupto do corpo. Alguns fatores externos favorecem o evento: fadiga, estresse, privação de sono, consumo de estimulantes, cochilos em posições desconfortáveis ou em movimento (como metrô, ônibus ou carro) podem aumentar a frequência da sensação. Do ponto de vista neurológico, espasmos musculares rápidos ocorrem por ativação repentina de grupos musculares que estavam relaxando, trata-se de uma resposta normal do organismo na fase inicial do sono. Quando se torna algo para observar Embora a Mioclonia Noturna seja geralmente inofensiva, há situações nas quais merece atenção: Se os espasmos forem muito frequentes, atrapalharem o sono ou causarem exaustão durante o dia. Se estiverem associados a outros sintomas, como movimentos repetitivos das pernas à noite, sonolência diurna acentuada, sonambulismo ou apneia do sono. Se existir histórico de doenças neurológicas, metabólicas ou uso de medicamentos que possam provocar mioclonias. Segundo o MSD Manuals, a mioclonia pode estar ligada a alterações metabólicas, insuficiência hepática ou renal, lesão cerebral ou uso de determinados fármacos. Nesses casos, é recomendada avaliação médica, que pode incluir exames de sangue, eletromiografia ou ressonância, a fim de descartar causas secundárias. Como prevenir ou reduzir as “sacudidas” Para quem vive esse susto de vez em quando, especialmente em trajetos, cochilos ou noites mal dormidas, há medidas simples que podem ajudar: Evite cochilar em posições desconfortáveis ou instáveis (como inclinado demais ou sem apoio adequado). Regularize o sono: mantenha rotina, ambiente escuro, temperatura adequada e evite estímulos antes de dormir. Reduza consumo de cafeína, bebidas energéticas ou estimulantes nas horas que antecedem o sono. Minimize o estresse e a fadiga acumulada, que provocam maior vulnerabilidade do sistema nervoso. Se estiver no transporte: apoie bem a cabeça, evite estar “pendurado” ou sem suporte — o corpo relaxa mais facilmente em ambiente seguro. Essas práticas não garantem que as sacudidas desapareçam, mas ajudam a reduzir a frequência e o impacto delas no sono e na qualidade de vida. Vale reforçar: o que não fazer Não considere essas sacudidas como “normais demais” a ponto de ignorar se ocorrerem com frequência ou se começarem a interferir no dia-a-dia. Evite automedicar-se ou atribuir o sintoma exclusivamente à “queda de sono” sem investigar se há padrão ou causa associada. Não adie consulta médica se houver suspeita de distúrbio do sono ou sinais como sonolência excessiva, ronco intenso, paradas respiratórias ou movimentos repetitivos nas pernas.