A capital paulista ampliou sua rede de saneamento básico, conectando cerca de 650 mil famílias à rede de esgoto por meio de grandes projetos (Divulgação) Um novo estudo nacional mostra quais municípios mais conseguem converter impostos arrecadados em serviços públicos que melhoram a vida da população. O Retornômetro, desenvolvido pela empresa Assertif, avaliou 396 cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes e apontou os mais eficientes no uso dos recursos públicos para saúde, educação, infraestrutura, emprego e governança. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Como funciona o Retornômetro A metodologia do índice combina dados de fonte oficiais, como IBGE, FINBRA, DATASUS e INEP, para avaliar três dimensões principais: Viver: qualidade de vida, saúde, educação, saneamento. Prosperar: emprego, renda, desenvolvimento econômico. Governar: transparência, equilíbrio fiscal, capacidade de investimento. Novo Momento Cada município recebe uma nota de 0 a 1.000, refletindo a eficiência com que retorna valor social para os cidadãos a partir dos impostos arrecadados. Novo Momento Destaques no ranking Segundo o Retornômetro, as cidades que mais se destacaram foram: Osasco (SP) – lidera com 783,3 pontos. Novo Momento A cidade se beneficiou de modernização administrativa, como o programa “Osasco Sem Papel”, que digitalizou muitos processos e reduziu a burocracia. Tem programas sociais relevantes, como o “Osasco Solidária”. Além disso, mantém forte dinamismo econômico, o que ajuda nos eixos “Governar” e “Prosperar”. São Paulo (SP) – 640,4 pontos A capital ampliou sua rede de saneamento básico, conectando cerca de 650 mil famílias à rede de esgoto por meio de grandes projetos. Também avançou na saúde, com expansão da atenção primária, e na educação infantil. No IDEB (índice de educação), a rede municipal tem apresentado bons resultados: por exemplo, 6,2 nos anos iniciais e 5,1 nos anos finais, segundo dados de 2023. Volta Redonda (RJ) – 631,5 pontos. A cidade se destaca muito na educação: em 2023, obteve a maior nota do Sul Fluminense no IDEB para os anos finais (5,4), acima da média nacional. No quesito transparência, brilhou na Escala Brasil Transparente, da Controladoria-Geral da União. De acordo com a prefeitura, esses resultados refletem políticas voltadas à valorização dos professores e investimentos em infraestrutura escolar. Outras cidades que aparecem bem no ranking são Votuporanga (SP) e Curitiba (PR) — ambas mostram que não é só em grandes metrópoles que se pode ter gestão eficiente. Panorama regional e desigualdades O levantamento revela também importantes disparidades regionais: O Sul do Brasil lidera com média de 526,6 pontos, seguido pelo Sudeste com 519,2 pontos. Já o Norte e o Nordeste apresentam médias bem mais baixas, com 399,9 e 401,3, respectivamente, sinalizando desigualdade na eficiência da gestão pública entre diferentes regiões do país. Apesar dessas diferenças, 60,6% das cidades avaliadas conseguiram superar a média nacional de 481,2 pontos. O paradoxo fiscal brasileiro O estudo também traz à tona um paradoxo do sistema fiscal brasileiro: embora a carga tributária no Brasil seja comparável à de países desenvolvidos, o retorno social desses tributos ainda deixa a desejar. Em nações como a Noruega ou a Finlândia, existe alta arrecadação e excelentes serviços públicos. No Brasil, entretanto, muitas vezes há arrecadação elevada, mas o retorno para a população não é proporcional. Ferramenta acessível e de longo prazo O Retornômetro é uma plataforma interativa que será atualizada periodicamente. Qualquer pessoa pode consultar dados por município, estado ou região, o que estimula a transparência e também a participação cidadã no debate sobre gestão pública. Novo Momento A iniciativa da Assertif tem grande potencial para fomentar uma cultura de eficiência, mostrando que é possível fazer mais com o dinheiro arrecadado, desde que haja planejamento, responsabilidade e foco em resultados concretos para a população.