A sucção não nutritiva, isto é, sem objetivo de mamar, é um comportamento natural de grande parte dos bebês e pode oferecer conforto, acalmar o choro (Divulgação / FreePik) Por vezes vista como solução imediata para acalmar bebês, a chupeta pode trazer benefícios, especialmente no primeiro ano, mas exige atenção: o uso prolongado ou inadequado pode comprometer a saúde bucal, o desenvolvimento da fala e a amamentação. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Quando a chupeta pode ajudar A sucção não nutritiva, isto é, sem objetivo de mamar, é um comportamento natural de grande parte dos bebês e pode oferecer conforto, acalmar o choro e facilitar o início do sono, sobretudo em momentos de estresse ou desconforto. Para bebês prematuros ou em hospitais, por exemplo, a chupeta pode ajudar na autorregulação emocional e neurológica, reduzindo o estresse durante procedimentos. Há evidências de que o uso controlado pode reduzir o risco de Síndrome da Morte Súbita Infantil (SIDS) na hora de dormir, algo reconhecido por especialistas internacionais. Os riscos quando o uso vai além do recomendado Especialistas advertem que os problemas começam quando a chupeta “vira hábito”, usada por muitas horas por dia, ou por vários anos. Nesses casos: A pressão constante sobre o palato pode alterar a arcada dentária e a forma da boca, levando a palato mais estreito ou alto, dentes superiores projetados e mordida aberta. Com o tempo, a língua pode perder o espaço natural, comprometendo a postura da musculatura bucal. Esses desalinhamentos dentários podem influenciar mastigação, respiração e o desenvolvimento da fala. Alguns sons exigem posicionamento adequado da língua, o que pode ficar prejudicado. Quando introduzida muito cedo, antes de três a quatro semanas de vida, a chupeta pode interferir na amamentação, já que o bebê pode ter dificuldade em “abocanhar” o seio corretamente, o que diminui a eficiência e pode levar ao desmame precoce. A chupeta também pode ser porta de entrada para microrganismos. Se não for higienizada corretamente, aumenta risco de infecções de ouvido e outras doenças. E, em termos de sono: embora ajude o bebê a dormir, poderá gerar dependência — se a chupeta sair da boca durante o sono, a criança pode acordar e chorar, quebrando a qualidade do descanso. Quando e como usar com segurança Profissionais e literaturas sugerem algumas orientações para minimizar os riscos: A chupeta deve ser oferecida só depois que a amamentação estiver bem estabelecida. O uso ideal é pontual, nos momentos de necessidade, não o tempo todo. Quanto menor o tempo diário, menor a chance de impactos futuros. O momento ideal para começar o desmame da chupeta costuma ser entre 6 meses e 1 ano. Se o hábito se estender além dos 2 anos, os prejuízos dentários e de fala tendem a aumentar e, acima dos 3 anos, mudanças na arcada bucal podem se tornar mais evidentes. Vale a pena — com moderação A chupeta não é, necessariamente, vilã. Quando usada com critério, pode oferecer conforto, acalmar o bebê e ajudar no sono sem causar danos. Mas os pais e cuidadores devem estar atentos a sinais de que o uso está se tornando excessivo, como noites inquietas, dificuldades na amamentação ou atraso na fala, e considerar retirar o objeto oportunamente. Se você quiser, posso montar uma lista de orientações práticas para pais com base em diferentes faixas etárias (0–6 m, 6–12 m, 1–3 anos) para usar a chupeta com segurança.