(Divulgação) Originário da China há mais de 2 mil anos, o kombucha é uma bebida fermentada à base de chá adoçado, geralmente preto ou verde, e de uma colônia de bactérias e leveduras conhecida como scoby. Com sabor levemente ácido e efervescente, ele conquistou o paladar ocidental e o interesse de pesquisadores. Estudos recentes sugerem que o consumo moderado do kombucha pode auxiliar no equilíbrio da flora intestinal, na desintoxicação do fígado e até na proteção do coração. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Uma tradição que atravessou milênios De acordo com registros históricos, o kombucha surgiu na antiga Manchúria, no nordeste da China, onde era conhecido como o “elixir da imortalidade”. Posteriormente, a bebida se espalhou pela Rússia e pelo Japão, chegando à Europa no início do século XX. A popularidade ressurgiu nos últimos anos, impulsionada por um movimento de busca por alternativas naturais e funcionais à alimentação moderna. Hoje, o kombucha é encontrado em supermercados, empórios e até preparado artesanalmente em casa por entusiastas da fermentação. O que há por trás da fermentação O segredo do kombucha está na simbiose entre bactérias e leveduras que transformam o açúcar em ácidos orgânicos, vitaminas e compostos antioxidantes. O resultado é uma bebida viva, repleta de probióticos, micro-organismos benéficos que atuam diretamente no intestino. Segundo a nutricionista funcional Dra. Carla Vasconcelos, o kombucha pode trazer efeitos positivos amplos: Quando o intestino está equilibrado, todo o organismo responde melhor. Há uma melhora na digestão, na absorção de nutrientes e até na imunidade. Isso reflete no bom funcionamento do fígado e na redução de inflamações que afetam o coração. Benefícios apontados por estudos científicos Embora o kombucha não seja uma “cura milagrosa”, diversas pesquisas apontam benefícios promissores: Saúde cardiovascular O kombucha contém antioxidantes, especialmente os polifenóis do chá, que ajudam a combater os radicais livres e reduzir o colesterol ruim (LDL). Além disso, o ácido acético presente na fermentação pode auxiliar na regulação da pressão arterial. Proteção do fígado Estudos em animais indicam que o consumo regular da bebida pode reduzir o acúmulo de toxinas no fígado e melhorar a função hepática. Isso ocorre graças aos ácidos orgânicos e enzimas produzidos durante o processo de fermentação. Equilíbrio intestinal Os probióticos do kombucha ajudam a repovoar a microbiota intestinal, melhorando a digestão, combatendo a constipação e fortalecendo o sistema imunológico. Além disso, a bebida pode contribuir para aliviar sintomas de síndrome do intestino irritável e desconfortos abdominais leves. Atenção: nem todos podem consumir Apesar dos benefícios, o kombucha requer moderação. Por ser fermentado, contém pequenas quantidades de álcool e ácidos, o que pode ser problemático para pessoas com gastrite, úlceras ou condições hepáticas graves. Gestantes, lactantes e indivíduos imunossuprimidos devem evitar o consumo sem orientação médica. Outro ponto importante é a higiene no preparo artesanal, a fermentação incorreta pode gerar contaminação por fungos e bactérias nocivas. O kombucha industrializado passa por controle de qualidade, mas quem faz em casa precisa seguir regras rigorosas de higiene. Caso contrário, o que seria uma bebida funcional pode se tornar um risco à saúde. Como inserir o kombucha na rotina Para quem deseja experimentar, a recomendação é começar com meio copo por dia e observar a reação do organismo. A bebida pode ser consumida pura, gelada ou misturada com sucos naturais. Versões com sabores de frutas vermelhas, gengibre e hortelã estão entre as preferidas. O ideal é que o kombucha não substitua o chá ou a água no dia a dia, mas funcione como um complemento funcional dentro de uma alimentação equilibrada. Veja a receita do chá: Ingredientes 1 litro de água filtrada 3 colheres de sopa de açúcar (ou a gosto) 2 sachês de chá preto ou verde (ou 2 colheres de sopa de folhas soltas) 100 ml de kombucha pronto (como “starter”) ou vinagre de maçã não pasteurizado 1 SCOBY (colônia simbiótica de bactérias e leveduras) Modo de preparo Ferver a água: Coloque a água em uma panela e leve ao fogo até ferver. Adicionar o açúcar: Dissolva o açúcar na água ainda quente. Fazer o chá: Adicione os sachês ou folhas de chá e deixe em infusão por 5 a 10 minutos. Depois, retire o chá e deixe esfriar completamente (o kombucha não pode ser colocado em chá quente, ou mata o SCOBY). Preparar o recipiente: Use um pote de vidro limpo e seco. Evite metal, pois pode reagir com o kombucha. Adicionar o starter e o SCOBY: Despeje o chá frio no pote, adicione o kombucha pronto ou vinagre como starter e coloque o SCOBY delicadamente por cima. Cobrir e fermentar: Cubra o pote com um pano limpo ou papel-toalha, preso com um elástico, para evitar poeira e insetos. Deixe fermentar em temperatura ambiente (20–30 °C) por 7 a 14 dias, dependendo do sabor desejado (quanto mais tempo, mais ácido o kombucha fica). Provar e engarrafar: Prove após 7 dias. Se estiver no ponto, retire o SCOBY com as mãos limpas, guarde para a próxima leva, e transfira o líquido para garrafas de vidro com tampa. Pode adicionar frutas, gengibre ou sucos para saborizar. Segunda fermentação (opcional): Feche as garrafas e deixe em temperatura ambiente por 1 a 3 dias para criar gás natural (carbonatação). Depois, refrigere. Dicas importantes Sempre lave bem as mãos e utensílios para evitar contaminação. Nunca use utensílios de metal durante a fermentação. O Scoby pode ser reutilizado para várias levas, formando novas camadas a cada fermentação. O kombucha deve ter um sabor levemente ácido e efervescente; se estiver com cheiro forte ou mofo, descarte.