80 horas por semana não é produtividade, é sobrecarga (Divulgação / Freepik) Em tempos em que o equilíbrio entre vida profissional e pessoal é uma das pautas mais valorizadas no mundo corporativo, a declaração de um empresário viralizou nas redes ao ir na contramão da tendência. O CEO, cujo nome ganhou notoriedade nas últimas semanas, revelou com todas as letras: em sua empresa, são exigidas 80 horas de trabalho por semana — e não há espaço para quem busca “vida equilibrada”. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Uma fala que dividiu opiniões A polêmica veio à tona após uma entrevista em vídeo, na qual o empresário afirma que a cultura da empresa é voltada para alta performance, sacrifício pessoal e longas jornadas. Em suas palavras: “Aqui não buscamos equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Procuramos pessoas dispostas a viver pelo trabalho. Quem busca conforto e flexibilidade está no lugar errado.” A declaração rapidamente viralizou no TikTok, LinkedIn e no X (antigo Twitter), provocando uma avalanche de críticas, memes e também apoio de alguns defensores da chamada cultura hustle — em tradução livre, a cultura da “correria” ou “trabalhar até cair”. 80 horas semanais: o que isso representa? Trabalhar 80 horas por semana equivale a mais de 11 horas por dia, todos os dias da semana, sem folgas. Essa carga horária não apenas excede os limites estabelecidos por leis trabalhistas em diversos países, como também pode trazer graves consequências para a saúde física e mental dos profissionais. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), jornadas superiores a 55 horas semanais estão associadas a um risco 35% maior de acidente vascular cerebral (AVC) e 17% maior de morte por doenças cardíacas. A lógica da “alta performance a qualquer custo” Empresas que operam sob esse modelo costumam exaltar métricas de produtividade, velocidade de entrega e resultados agressivos. Essa mentalidade, apesar de ainda presente em alguns setores — especialmente no mercado de tecnologia e startups — tem sido cada vez mais contestada por especialistas em gestão, RH e psicologia organizacional. A contramão das tendências globais Enquanto esse empresário exige mais tempo de tela e menos vida fora do escritório, gigantes como Google, Microsoft e Salesforce têm investido em programas de bem-estar, flexibilidade de horário e home office parcial. O foco em saúde mental se tornou não apenas um diferencial competitivo, mas uma demanda da nova geração de talentos. Pesquisas recentes mostram que mais de 60% dos jovens da Geração Z priorizam qualidade de vida ao escolher um emprego. Para eles, salários altos não compensam ambientes tóxicos ou jornadas exaustivas. O que dizem os especialistas em recursos humanos De acordo com o relatório anual do LinkedIn sobre tendências de RH, “bem-estar do colaborador” e “equilíbrio entre vida pessoal e profissional” estão entre os cinco principais fatores de retenção de talentos em 2025. Ainda segundo o estudo: Empresas que adotam jornadas flexíveis têm até 50% menos rotatividade. Profissionais felizes produzem, em média, 13% mais do que os que se sentem sobrecarregados. A cultura corporativa é mais decisiva que o salário para reter talentos em 74% dos casos. A cultura do burnout: até quando? Burnout já é considerada uma síndrome ocupacional pela OMS desde 2022. Trata-se de um estado de esgotamento físico, mental e emocional, geralmente causado por excesso de trabalho, pressão constante e falta de reconhecimento. Especialistas alertam que discursos como o desse CEO reforçam modelos ultrapassados, que podem até gerar crescimento a curto prazo, mas têm efeitos destrutivos a médio e longo prazo.