A indústria paulista começou o ano com um cenário de retração, de acordo com o Panorama Econômico da Indústria emitido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Nada menos que 11 dos 12 segmentos analisados apresentaram queda no último trimestre do ano passado, colocando um cenário ruim para ser revertido. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Os dados são obtidos a partir de uma pesquisa sobre as percepções dos industriais paulistas acerca da produção, vendas, custos e investimentos no trimestre de referência e expectativas acerca do trimestre seguinte. Eles são ponderados por porte, de maneira que as respostas de empresas maiores influenciam mais no resultado agregado. Para o 1º trimestre deste ano, a indústria avalia que todos os componentes pesquisados pioraram: produção (46,6 pontos), vendas (43,6 pontos), custos (37,8 pontos) e todos os investimentos levantados (máquinas e equipamentos, com 38,9 pontos); pesquisa e desenvolvimento (35,5 pontos); indústria 4.0 (32,1 pontos) e capacidade instalada (41,1 pontos). Já para o 2º trimestre, os industriais paulistas projetam um cenário semelhante, porém, com melhora da produção (51,2 pontos) e das vendas (50,2 pontos). Problemas Entre os fatores mais citados nas consultas estão a falta de mão de obra qualificada, as dificuldades de mercado e vendas e o impacto da alta taxa de juros, atualmente em 14,75%. Além disso, o levantamento destaca uma crescente preocupação com as incertezas em relação à reforma tributária que entrará em vigor a partir de janeiro de 2027. Para a economista Danubia Maria Borba, o movimento reflete, principalmente, os efeitos de uma política monetária restritiva. “Juros elevados encarecem o crédito, reduzem o consumo e acabam desestimulando novos investimentos, impactando diretamente a atividade industrial”, aponta. Para ela, a incerteza em torno da reforma tributária deve, de fato, ser considerada. “O período de transição exige adaptação operacional e estratégica das empresas, o que naturalmente leva a uma postura mais cautelosa por parte dos empresários”. Danubia reforça que, apesar do início de ano desafiador, já há sinais de uma possível recuperação no segundo trimestre, especialmente nos indicadores de produção e vendas. Ainda assim, o ambiente segue pressionado, com custos elevados e decisões de investimento mais contidas. “O foco em eficiência, gestão financeira e planejamento estratégico passa a ser essencial. As empresas que conseguirem se organizar agora estarão mais preparadas para atravessar esse período e aproveitar as oportunidades que surgirão com a nova estrutura econômica dos próximos anos”, complementa. Por segmento Alimentos e Bebidas Teve alta de 1,1% na produção no 4° trimestre do ano passado, com destaque positivo para o segmentode laticínios. Contudo, os empresários avaliaram que todos os componentes da pesquisa ficaram piores noprimeiro trimestre. Têxtil Vestuário e Couro e Calçados registrou queda de 1,6% na produção no último trimestre de 2025. O segmento mantém indicadores de força, embora a percepção seja de um início de ano desafiador. Madeira e Móveis Recuou 1% no último trimestre do ano passado. A produção de madeira sinaliza desaceleração, enquanto o segmento de móveissegue com desempenho neutro. Papel e Celulose e Impressão Apresentou redução de 2,6% na produção trimestral. Os empresários sinalizam piora nos indicadores tanto para o primeiro trimestre deste ano como para o próximo. Petróleo, Químicos e Farmácia Com queda de 2,7% no 4° trimestre de 2025, o segmento de petróleo enfrenta forte desaceleração. Entretanto, há uma expectativa de melhora na produção (53,1 pontos), nas vendas (51,6 pontos) e nos investimentos em capacidadeinstalada (50,8 pontos) para os próximos três meses. Borracha e Plástico Apesar de leve queda de 0,2% no final de 2025, o segmento mantém crescimento acumulado de 1,5% em 12 meses e expectativa de recuperação na produção, vendas e nos investimentos. Minerais e Metalurgia Após alta de 0,9% no fechamento de 2025, a metalurgia de metaisnão ferrosos se destaca. Porém, os empresários projetam cenário de piora para este trimestre e o próximo. Produtos de Metal O segmento registrou queda de 0,4% na produção trimestral do 4° trimestre de 2025, mas a expectativa setorial é de melhora da produção, vendas e investimentos no 2° trimestre deste ano. Informática e Material Elétrico O segmento registrou recuo de 0,7% no 4° trimestre do ano passado. Este é o destaque negativo do Panorama, com empresários esperando piora contínua em todos os indicadores nos trimestres analisados. Máquinas e Equipamentos O segmento apresentou estabilidade no 4o trimestre de2025. O subsetor de manutenção de máquinas destaca-se com aceleração muito forte. Veículos e Transporte O segmento é o principal destaque positivo entre os agregados, com expectativa de melhora da produção, vendas (54,4 pontos) e investimentos em P&D (52,9 pontos), Indústria 4.0 (54,4 pontos) e capacidade instalada (52,9 pontos) para o 2° trimestre deste ano. Diversos Apresentou o melhor desempenho trimestral do grupo, com alta de 2,6% no 4° trimestre do ano passado. Os empresários apostam na melhora.