A parte mais rica em nutrientes pode estar justamente onde menos esperamos: nas cascas (Divulgação / Freepik) As cascas de alho e cebola, normalmente descartadas na cozinha, estão ganhando protagonismo no mundo da ciência. Estudos recentes sugerem que esses resíduos, ricos em compostos bioativos, não só ajudam a controlar os níveis de açúcar no sangue, como também podem reduzir sintomas de ansiedade. A descoberta abre caminho para novas estratégias naturais de prevenção e cuidado com doenças metabólicas e emocionais. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O potencial escondido nas cascas Quando pensamos nos benefícios do alho e da cebola, logo vêm à mente suas propriedades antibacterianas e a capacidade de reforçar o sistema imunológico. Mas, segundo cientistas, a parte mais rica em nutrientes pode estar justamente onde menos esperamos: nas cascas. Pesquisas realizadas por universidades da Europa e da Ásia mostram que a casca do alho contém altas concentrações de compostos fenólicos e antioxidantes, que ajudam a reduzir inflamações e a proteger as células contra danos oxidativos. No caso da cebola, a casca é especialmente rica em quercetina — um flavonoide com reconhecida ação anti-inflamatória e potencial regulador do humor. Controle da glicemia e prevenção de doenças metabólicas Um dos achados mais promissores está na relação entre as cascas e a saúde metabólica. Pesquisadores verificaram que extratos feitos a partir de cascas de alho e cebola foram capazes de melhorar a sensibilidade à insulina e reduzir picos de glicose em modelos experimentais. Isso sugere que o consumo controlado e seguro desses extratos pode auxiliar pessoas com pré-diabetes ou diabetes tipo 2. A explicação está na presença de compostos como saponinas, polifenóis e flavonoides, que atuam diretamente no metabolismo da glicose e na proteção do pâncreas, órgão responsável pela produção de insulina. Redução da ansiedade e melhora do humor Outro ponto que vem chamando atenção é o possível efeito ansiolítico. A quercetina, presente em alta concentração na casca da cebola, demonstrou, em estudos pré-clínicos, capacidade de modular neurotransmissores ligados ao bem-estar, como serotonina e dopamina. Além disso, os antioxidantes presentes nas cascas reduzem o estresse oxidativo no sistema nervoso central — fator associado ao agravamento de sintomas de ansiedade e depressão. Como aproveitar os benefícios? Apesar do potencial, especialistas alertam que não se trata de simplesmente comer cascas cruas. O ideal é utilizá-las em infusões, caldos, chás ou moídas em pó, sempre com higiene adequada. Também é possível encontrar suplementos padronizados com extrato das cascas, mas a orientação médica é fundamental antes de iniciar qualquer consumo regular. A importância de evitar o desperdício Além dos benefícios para a saúde, aproveitar as cascas significa também adotar uma postura mais sustentável na cozinha. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), cerca de um terço dos alimentos produzidos no mundo é desperdiçado, e grande parte desse descarte ocorre justamente com partes que poderiam ser aproveitadas. O que diz a ciência até agora Embora os resultados sejam promissores, especialistas ressaltam que boa parte das pesquisas ainda está em fase laboratorial ou em testes com animais. Mais estudos clínicos com humanos serão necessários para confirmar doses, formas de consumo e efeitos a longo prazo. “É um campo de estudo fascinante. Estamos descobrindo que o que muitas vezes vai para o lixo pode ser uma fonte valiosa de compostos bioativos para a saúde”, afirma a nutricionista funcional Dra. Marina Soares.