Segundo o INCA, o tumor está entre os mais incidentes do país, reforçando a urgência de prevenção e rastreamento (Divulgação / Freepik) O câncer de intestino (ou colorretal) está entre as principais causas de morte por câncer no mundo e segue em alta também no Brasil. Estimativas do Instituto Naciona de Câncer (INCA ) projetam cerca de 45 mil novos casos por ano no triênio 2023–2025; globalmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta mais de 1,9 milhão de diagnósticos e mais de 900 mil mortes anuais. A boa notícia: é um dos tumores mais preveníveis quando você reduz fatores de risco e faz o rastreamento no tempo certo. A seguir, veja sete atitudes que você deve evita e o que fazer.. Abusar de carnes processadas e exagerar na carne vermelha Por que faz mal? A carne processada (bacon, salsicha, embutidos) tem evidência convincente de aumentar o risco de câncer colorretal; já a carne vermelha em excesso também está associada a maior risco. O mecanismo envolve compostos como nitritos/nitratos, aminas heterocíclicas e hidrocarbonetos formados no processamento e no preparo em altas temperaturas. Faça melhor: priorize leguminosas, peixes e aves; se consumir carne vermelha, modere a frequência e a porção. Ignorar as fibras e os grãos integrais Por que faz falta? Padrões alimentares ricos em fibras e grãos integrais estão ligados a menor risco de câncer colorretal, ajudando a reduzir o tempo de contato de possíveis carcinógenos com a mucosa intestinal, modular a microbiota e produzir ácidos graxos de cadeia curta com efeito protetor. Faça melhor: inclua feijões, lentilha, aveia, arroz integral, frutas e verduras todos os dias. Viver no sedentarismo Por que importa? A atividade física regular reduz o risco de câncer colorretal por melhorar a sensibilidade à insulina, reduzir inflamação crônica e modular hormônios de crescimento. Evidências de sínteses WCRF/AICR sustentam o efeito protetor do movimento. Faça melhor: mire ao menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica + exercícios de força 2x por semana (adapte com seu médico). Beber álcool em excesso (ou “esquecer” que também conta) O que a ciência diz? O álcool é carcinógeno (Grupo 1) para humanos e está associado a risco maior de câncer de cólon e reto, especialmente em consumo elevado. Reduzir ou cessar a ingestão tende a reduzir a incidência de alguns cânceres; para colorretal, a evidência de benefício é considerada limitada, mas consistente quanto ao risco do consumo. Faça melhor: se optar por beber, reduza a quantidade — e converse com seu médico sobre riscos pessoais. Fumar (ou conviver com o cigarro como se não afetasse o intestino) O problema: além de vários tumores, o tabagismo aumenta o risco de câncer colorretal e está ligado a piores desfechos em quem já teve a doença. Parar de fumar reduz o risco ao longo do tempo. Faça melhor: busque apoio para cessação do tabagismo (medicação + acompanhamento eleva as chances de sucesso). Negligenciar o controle do peso Por que pesa? Excesso de gordura corporal se relaciona a maior risco de câncer colorretal, por vias que incluem resistência à insulina, inflamação e desequilíbrios hormonais. Diretrizes internacionais classificam a evidência como convincente. Faça melhor: combine alimentação balanceada, exercício e sono adequado; peça orientação profissional para metas realistas. Adiar os exames de rastreamento Por que isso é crítico? O rastreamento previne câncer ao encontrar e remover pólipos antes de virarem tumor — e detecta cedo quando as chances de cura são maiores. Para risco médio, diretrizes internacionais (USPSTF/ACS) recomendam começar aos 45 anos e seguir com testes de fezes sensíveis (como FIT anual) ou exame visual (colonoscopia) conforme intervalo de cada método. Quem tem alto risco (história familiar, doenças inflamatórias intestinais, síndromes hereditárias) pode precisar começar antes. Decisão entre 76–85 anos deve ser individualizada. Faça melhor: converse com seu médico sobre qual exame é o melhor para você e quando repetir. Mitos & verdades rápidos Só idosos têm câncer de intestino. Mito. O risco aumenta com a idade, mas a doença está crescendo em adultos mais jovens, o que motivou a queda da idade inicial de rastreamento para 45 anos. Se eu não tenho sintomas, não preciso rastrear. Mito. Rastreamento é para pessoas sem sintomas — justamente para prevenir e diagnosticar precocemente. Colonoscopia é o único jeito. Mito. Há opções (FIT anual, outros testes de fezes, sigmoidoscopia) — qualquer teste recomendado é melhor que nenhum. Sinais de alerta: quando procurar avaliação Mudança persistente no hábito intestinal, sangue nas fezes, dor abdominal inexplicada, perda de peso sem causa, anemia por deficiência de ferro — não espere: procure atendimento. O rastreamento não substitui a investigação de sintomas. Perguntas que valem levar à consulta Qual é meu risco pessoal? (histórico familiar, doenças prévias, uso de álcool/tabaco, IMC, estilo de vida) Qual exame de rastreamento faz mais sentido para mim agora? Se meu teste de fezes vier positivo, em quanto tempo faço colonoscopia? Que metas realistas posso adotar em dieta, exercício e peso? Como transformar as escolhas no dia a dia Prato mais “plant-based”: metade do prato com vegetais + uma porção de grãos integrais + leguminosas frequentes. (Fibras ajudam a proteger.) “Segunda sem álcool” (e mais dias): reduzir a frequência já diminui a dose acumulada. Mexa-se todos os dias: vale caminhada, bicicleta, musculação, dança — o melhor exercício é o que você mantém. Pare de fumar: peça ajuda profissional e combine estratégias (terapia + medicação).