A bolsa de 100% na faculdade de Jornalismo, via ProUni, solucionou dois problemas na vida do estudante guarujaense Vitor de Jesus Souza (Arquivo Pessoal) O final do Ensino Médio representa uma nova etapa para a vida do estudante. O motivo é que chega a hora de definir qual curso universitário seguir e em qual instituição. Problema maior é lembrar dos custos que o Ensino Superior despende, nem sempre compatíveis com a renda familiar. Para isso, o poder público oferece modalidades de financiamento estudantil que, em muitas ocasiões, podem cobrir integralmente a opção escolhida, levando em conta o desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Neste momento, os processos seletivos envolvendo o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), o Programa Universidade Para Todos (ProUni) e o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), todos do Governo Federal, estão em andamento, mas A Tribuna traz todos os detalhes sobre estes programas para os estudantes que estão de olho na universidade para 2026. Mais detalhes são encontrados no site acessounico.mec.gov.br. Fies O Fies é uma ação destinada a financiar a graduação de estudantes matriculados em cursos presenciais não gratuitos e com avaliação positiva nos processos de avaliação conduzidos pelo Ministério da Educação. O programa financia até 100% do valor dos encargos educacionais cobrados pelas instituições de ensino com adesão ao Fundo, de acordo com a renda familiar mensal bruta do estudante e do comprometimento dessa renda com o pagamento da mensalidade. Ele é destinado prioritariamente a estudantes que não tenham concluído o ensino superior e que não tenham sido beneficiados pelo financiamento estudantil, vedada a concessão de novo financiamento a estudante inadimplente com o Fies ou com o programa de crédito educativo. O estudante interessado em obter financiamento para o curso superior deve atender, preliminarmente, aos seguintes requisitos: ter participado do Enem a partir da edição de 2010 e obtido média aritmética das notas nas provas igual ou superior a 450 pontos e nota na redação superior a zero; e ter renda per capita de até três salários mínimos (R\$ 4.554,00). No ano passado foi criado o segmento Fies Social, que prioriza o atendimento a estudantes de renda mais baixa. Com o Fies Social, nos processos seletivos são assegurados os seguintes benefícios aos estudantes inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (Cadùnico) e que possuam renda familiar per capita de até meio salário mínimo (R\$ 759,00): concessão de até 100% de financiamento dos encargos educacionais; e reserva de 50% das vagas a esse público em cada edição dos processos seletivos. Além disso, o Fies Social cria a reserva de vagas aos estudantes autodeclarados pretos, pardos, indígenas e quilombolas e de pessoas com deficiência, de acordo com a mesma proporção na população da unidade da Federação onde está instalada a instituição de ensino, segundo o último Censo do IBGE. O próprio candidato deve certificar-se de que cumpre aos requisitos estabelecidos para concorrer ao financiamento, observadas as regras previstas no edital de cada processo seletivo, que são publicados pelo Ministério da Educação. Caso seja pré-selecionado, o candidato ao financiamento deve comprovar as informações de cadastro, renda e composição do seu grupo familiar perante à instituição de ensino. Comprovadas as informações, o estudante é aprovado para celebrar o contrato de financiamento na Caixa Econômica Federal. ProUni O ProUni oferta bolsas de estudo, integrais e parciais (50% do valor da mensalidade do curso), em cursos de graduação e sequenciais de formação específica, em instituições de educação superior privadas. O público-alvo do programa é o estudante sem diploma de nível superior. Para se inscrever, é preciso ter realizado pelo menos uma das duas últimas edições do Enem, realizada antes do processo seletivo, e ter alcançado, no mínimo, 450 pontos de média nas notas das cinco provas do exame. Além disso, o estudante não pode ter tirado zero na prova de redação do Enem nem ter participado do exame na condição de treineiro. Sisu O Sisu permite que os estudantes que realizaram o Enem tenham a oportunidade de disputar vagas em universidades públicas e institutos federais. A seleção é feita com base na média das notas obtidas no Enem, respeitando o limite de vagas disponíveis para cada curso e modalidade de concorrência. A seleção considera as escolhas dos candidatos inscritos, bem como seus perfis social e econômico, conforme as disposições da Lei de Cotas. A inscrição no Sisu é gratuita e é realizada após a divulgação dos resultados do Enem. Para isso, é necessário ter uma conta registrada no gov.br, site do Governo. Ao realizar o login no Sisu, o sistema recupera automaticamente as notas obtidas pelo candidato na edição do Enem válida para o processo seletivo em questão, isto é, a edição mais recente do Enem, anterior ao processo seletivo do Sisu. Durante a inscrição, o candidato deverá preencher os questionários de Perfil Social e de Perfil Econômico relativos ao perfil para a Lei de Cotas e selecionar até duas opções de cursos dentre aqueles oferecidos no respectivo processo seletivo do Sisu. As opções de curso podem ser alteradas durante todo o período de inscrições, sendo considerada válida a última inscrição registrada no sistema. Bolsa integral resolve problemas de estudante A bolsa de 100% na faculdade de Jornalismo, via ProUni, solucionou dois problemas na vida do estudante guarujaense Vitor de Jesus Souza, de 24 anos: o econômico e a insatisfação com seu emprego em uma loja em Vicente de Carvalho, em Guarujá. Ele trabalhou por cinco anos como operador de caixa e, posteriormente, como vendedor de tecnologia, até a empresa encerrar as vendas de eletrônicos. “Para mim, era uma grande preocupação não conseguir uma bolsa integral. Eu até conseguiria pagar, pois estava empregado naquele momento, mas eu já não estava contente com meu emprego. Se eu pagasse ainda que 50% do valor total do meu curso, eu teria que permanecer, ainda que insatisfeito, no local onde eu trabalhava, para não sobrecarregar os meus pais e para não ter que também trancar a faculdade. Então, dadas as circunstâncias, a bolsa integral tem sido de suma importância para mim, tanto para minha saúde mental quanto para minha realização pessoal”, explica. Surpresa e dedicação Cursando o terceiro semestre do curso na Esamc Santos, Souza ficou muito surpreso quando recebeu o e-mail informando que havia obtido a bolsa integral. “Fiquei por alguns minutos procurando o valor da mensalidade”, conta. “O candidato inscrito tem a opção de aplicar sua nota em dois cursos diferentes. Fiz isso em Jornalismo e em Design Gráfico”, emenda. Souza estudou por aproximadamente um ano em uma escola que oferecia curso preparatório para o vestibular. “Fiz o Enem e consegui essa bolsa integral pelo ProUni, o que me poupa da preocupação com a mensalidade e me resta apenas a dedicação aos estudos. Meu custo foi apenas com o cursinho pré-vestibular, aproximadamente uns R\$ 4 mil”, detalha. Atualmente desempregado, o estudante reside com os pais e o irmão mais velho — que possui duas formações acadêmicas, sendo a primeira em Publicidade e Propaganda e a outra em Letras — na comunidade Chaparral, na Vila Áurea, em Vicente de Carvalho, em Guarujá.