O café, consumido no equilíbrio certo, oferece benefícios como melhora na concentração, ação antioxidante e estímulo metabólico (Divulgação / Freepik) Você já parou para pensar se o café que consome diariamente pode estar agindo contra a sua saúde? Pesquisas recentes e alertas de especialistas indicam que nem todas as xícaras são iguais, algumas versões podem desencadear distúrbios do sono, sobrecarga hepática e flutuações no açúcar no sangue. Conheça as três modalidades de café que merecem atenção (e, em muitos casos, corte) e descubra como manter o hábito de forma saudável. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! 1. Café adoçado e com xaropes saborizados: doce armadilha Adicionar açúcar, mel, caldas ou xarope aromatizado transforma uma bebida leve em bomba glicêmica. Quando você consome café adoçado com frequência, o açúcar causa picos repentinos de glicose no sangue, seguidos por quedas abruptas — o famoso “efeito montanha-russa” de energia. Isso pode provocar cansaço, desejo intenso por doces e irritabilidade. Além disso, a carga excessiva de açúcar sobrecarrega o fígado e contribui para o acúmulo de gordura no órgão, favorecendo o desenvolvimento de esteatose hepática não alcoólica (ou “fígado gorduroso”). O que fazer? Reduza gradual e progressivamente a quantidade de açúcar até eliminar. Experimente usar especiarias naturais como canela ou cardamomo para dar sabor sem caloria extra. 2. Cafés prontos industrializados ou bebidas energéticas à base de café Esses produtos prontos para consumo (em lata, garrafa ou cápsula) são convenientes, mas frequentemente carregam altas doses de cafeína, adoçantes artificiais, aromatizantes e gorduras processadas. O alto teor de cafeína estimula demais o sistema nervoso, podendo provocar insônia, palpitações e irritabilidade, especialmente em consumidores sensíveis ou que consomem em excesso. E como muitas dessas bebidas têm açúcar ou substitutos adoçantes, há risco de impacto na glicemia. Adicionalmente, o consumo crônico pode afetar a produção natural de melatonina e perturbar os ciclos de sono. O que fazer? Prefira fazer o café em casa, controlando os ingredientes. Se usar versões prontas, opte pelas versões sem açúcar e com menor teor de cafeína, e limite a uma por dia. 3. Café “turbinado” com gorduras — quando o excesso é prejudicial A tendência do chamado “café à prova de bala” (bulletproof coffee), mistura de café com manteiga, óleo de coco ou óleo MCT, ganhou fama entre adeptos de dietas low carb e jejum intermitente. A proposta é fornecer energia prolongada, mas há riscos. Quando consumida todos os dias e em quantidades elevadas, essa versão pode aumentar os níveis de gorduras saturadas no organismo. O resultado: elevação do colesterol ruim (LDL) e possível estímulo à deposição adiposa, inclusive no fígado. Se o café já recebe gordura extra, algumas versões cremosas industrializadas adicionam gorduras vegetais hidrogenadas, que são ainda mais nocivas ao fígado e ao perfil lipídico. O que fazer? Use apenas pequenas porções de gorduras saudáveis, se for aderir (por exemplo, uma fatia de manteiga clarificada ou um pouco de óleo de coco). Não adicione açúcares nem cremes industriais junto. Monitore seus exames de colesterol e função hepática regularmente, especialmente se incorporar esse tipo de preparação à rotina. Equilibrando o consumo: recomendações gerais Dose segura: para adultos saudáveis, até 3–4 xícaras pequenas (cerca de 200 ml) por dia é considerado aceitável, desde que sem exageros nem extras nocivos. Evite café à noite: para não interferir no sono, evite ingerir café após o final da tarde. Prefira café filtrado e fresco: menos compostos que afetam o fígado e menor chance de acrilamidas nocivas. Cuidado com “extras secretos”: ao comprar café prontos, leia o rótulo — muitos escondem açúcar, gorduras hidrogenadas e aditivos. Alterne com bebidas saudáveis: chás, infusões e até água com limão podem reduzir a dependência do café e auxiliar no equilíbrio metabólico. Porque vale atenção? O café, consumido no equilíbrio certo, oferece benefícios como melhora na concentração, ação antioxidante e estímulo metabólico. No entanto, versões industrializadas ou modificadas excessivamente podem transformar um hábito aparentemente inofensivo em um fator de risco silencioso. Portanto, estar atento ao tipo de café que você toma é tão importante quanto o próprio hábito de tomar café.