Novos estudos mostram como inovação, qualificação profissional e soberania tecnológica devem moldar o setor no País (AdobeStock) A Base Industrial de Defesa (BID) do Brasil ganhou um novo impulso. A Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo (USP) lançaram um conjunto de oito estudos sobre o futuro do setor. Os trabalhos analisam como novas tecnologias e mudanças na organização do setor devem transformar as empresas e os empregos nos próximos anos. Além disso, indicam quais conhecimentos e habilidades os profissionais precisarão ter e propõem ações para adequar a formação de trabalhadores às novas demandas da indústria de defesa. Os estudos contemplam os seguintes segmentos: aeroespacial; munições, propelentes, explosivos, mísseis e foguetes; armas e equipamentos de controle de tiro; plataformas militares marítimas e fluviais; plataformas veiculares militares terrestres; defesa cibernética; sistemas C4ISTAR (rede integrada de comando, controle, comunicações, computadores, inteligência, vigilância e reconhecimento) e uniformes militares. “A transformação da BID não exige apenas novos conhecimentos técnicos. Ela demanda uma reconfiguração simultânea dos conhecimentos que estruturam a formação, das habilidades que sustentam a execução do trabalho e das aptidões que permitem atuar em ambientes caracterizados por elevada complexidade, integração tecnológica e incerteza”, afirma o gerente do Observatório Nacional da Indústria, Rafael Sousa, em material distribuído à imprensa. Formação profissional Os cadernos relacionam mais de 120 tecnologias emergentes e os novos perfis profissionais que devem ganhar destaque nos próximos anos. O material também apresenta recomendações para aproximar a formação profissional das necessidades da indústria, contribuindo para decisões estratégicas sobre qualificação de pessoas, infraestrutura tecnológica, políticas públicas e desenvolvimento de talentos. A transformação da Base Industrial de Defesa considera um conjunto de tecnologias que abrange todos os segmentos analisados. Inteligência artificial, cibersegurança e engenharia digital estão entre os principais fatores dessa mudança. Desafios e oportunidades A publicação destaca os desafios que o país deverá enfrentar: dependência tecnológica externa, financiamento insuficiente e irregular, fragmentação da cadeia produtiva, escassez de competências e vulnerabilidades cibernéticas. No entanto, também são identificadas oportunidades. Acompanhar essas tendências pode proporcionar ao país inovação tecnológica, fortalecimento da soberania tecnológica, ampliação da cooperação entre empresas, governo e instituições de ensino, desenvolvimento de talentos e aprimoramento da defesa cibernética. “Fortalecer a BID significa preparar a indústria brasileira para as transformações que já estão em curso e para aquelas que ainda virão. Com esses cadernos, transformamos conhecimento e visão de futuro em inteligência para orientar políticas públicas, investimentos e decisões empresariais”, explica o presidente da ABDI, Olavo Noleto. Conhecimentos Engenharia de Sistemas Tecnologias digitais Cibersegurança Confiabilidade Gestão do ciclo de vida Governança e gestão Habilidades Analisar sistemas Integrar sistemas Analisar dados Monitorar sistemas Validar sistemas Solucionar problemas complexos Tomar decisões baseadas em evidências Aprender continuamente Aptidões Pensamento analítico Pensamento sistêmico Adaptabilidade Atenção seletiva Percepção de problemas Responsabilidade Estabilidade emocional Em números Dados do Ministério da Defesa apontam que as exportações da Base Industrial de Defesa cresceram 29% no primeiro semestre deste ano, alcançando US\$ 1,8 bilhão em autorizações para exportação. Os produtos brasileiros já chegaram a 150 países por meio de 130 empresas exportadoras. A Base representa atualmente 3,41% do PIB do País.