(Reprodução/Instagram/Donald Trump e Divulgação/Prefeitura Municipal de Guarujá) O Brasil será o país mais beneficiado pela criação da nova tarifa global de 10% pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em substituição às taxas recíprocas que estavam em vigor desde 2024 e derrubadas pela Suprema Corte norte-americana na semana passada. As mudanças foram celebradas por entidades ligadas ao setor industrial, que mesmo com um tom cauteloso já vislumbram a possibilidade de crescimento das exportações. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O estudo que aponta os maiores benefícios ao Brasil foi elaborado pela Global Trade Alert, organização independente que monitora políticas de comércio internacional, e divulgado pelo jornal Financial Times. Nele, o Brasil tem a maior redução nas tarifas médias: 13,6 pontos percentuais. Vale lembrar que, no ano passado, o país chegou a contar com sobretaxa de 50% sobre seus produtos. Em seguida, no ranking de beneficiados, surgem China, com recuo de 7,1 pontos, e Índia, com diminuição de 5,6 pontos. Completam a lista de principais beneficiados Canadá (-3,3 pontos percentuais), México (-2,9), Vietnã (-2,8) e Tailândia (-2). Por outro lado, o estudo da Global Trade Alert aponta como maiores prejudicados Reino Unido (+2,1 pontos), Itália (+1,7), Singapura (+1,1), França (+1) e União Europeia (+0,8). Repercussão Entre as entidades do setor industrial brasileiro, as mudanças nas tarifas foram recebidas com um misto de cautela e esperança de aumento nas exportações aos EUA. Um dos segmentos mais impactados, a indústria do café, celebrou a decisão da Suprema Corte norte-americana. Em janeiro, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Pavel Cardoso, havia informado que toda a cadeia do café lutava para reduzir as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos ao café solúvel. Embora o Governo Trump tivesse suspendido, em novembro de 2025, a tarifa de 40% sobre o café em grão, o café solúvel havia sido deixado de lado. Diante das mudanças, Cardoso ressaltou que, para a indústria do café, medidas unilaterais como as tomadas pelos EUA “geram incertezas e impactos ao longo de toda a cadeia produtiva”. Por isso, considerava importante a decisão da Suprema Corte. “Para a indústria do café, setor global e altamente integrado, previsibilidade, isonomia e regras claras são fundamentais para garantir estabilidade, investimentos e proteção ao consumidor”. Em nota, a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) viu a decisão como “um alívio relevante ao eliminar parte da imprevisibilidade que vinha marcando o ambiente comercial. As tarifas adicionais deixam de ter fundamento jurídico, reduzindo a pressão tarifária sobre exportações brasileiras atingidas por essas medidas. Trata-se de um passo importante para restaurar maior segurança jurídica nas relações comerciais bilaterais”. A associação informou, no entanto, que “seguirá acompanhando atentamente os desdobramentos da decisão e seus efeitos sobre a indústria brasileira do plástico”. Nas redes sociais, a Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) recebeu com otimismo a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que revogou o tarifaço. “A Abipesca projeta, caso o novo cenário se confirme, um aumento de até 100% nas exportações brasileiras de pescados para os Estados Unidos, além de um crescimento estimado de 35% nas exportações totais do setor”. A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), outro setor bastante afetado pelo tarifaço, também disse acompanhar “com cautela” a decisão da Suprema Corte, pois os EUA são o principal destino das exportações brasileiras de têxteis e confeccionados. “As tarifas aplicadas pelos EUA já estão entre as mais elevadas da estrutura tarifária americana e medidas adicionais podem comprometer a competitividade e a viabilidade das exportações”.