Há expectativa de que políticas e projetos sejam pilares para uma mudança de patamar (CNI/José Paulo Lacerda/Divulgação) Impactado negativamente por fatores como ambiente econômico e educação, o Brasil ficou em último lugar no mais recente ranking de competitividade industrial elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). No estudo, a entidade comparou o País com outras 17 nações que competem com os brasileiros no mercado internacional, considerando oito fatores que afetam o desempenho das empresas mundo afora. Os três aspectos que mais pesaram negativamente no resultado foram Ambiente Econômico; Desenvolvimento Humano e Trabalho; e Educação. Em todos eles, o Brasil ocupou o último lugar no ranking. No primeiro, o custo alto de financiamento no País figura como um dos empecilhos históricos para a indústria. No momento, o alto patamar da Selic, em 14,25% ao ano, reforça esse efeito. Nesse cenário, o segmento comemora o fato de o governo atual ter lançado uma política industrial, a Nova Indústria Brasil (NIB), que inclui uma vertente de crédito liderada pelo BNDES. Para ver os efeitos do programa no ranking, no entanto, será necessário mais tempo. Por ora, o superintendente de Política Industrial da CNI, Fabrício Silveira, classifica a NIB como um “avanço considerável”, inclusive por ter sido incrementada desde o lançamento, há um ano. A previsão de financiamentos pelo plano partiu de R\$ 300 bilhões para R\$ 507 bilhões até 2026. “Estamos falando de políticas que geram incentivos para a transformação técnica, transformação tecnológica em alguns setores. São políticas que vão gerar incentivos, por exemplo, na formação de trabalhadores. A política industrial, em geral, demanda de cinco a dez anos para ser avaliada”, aponta Silveira, defendendo a necessidade de o plano se tornar uma política de estado permanente. Impostos O ambiente tributário foi outro aspecto que ajudou a jogar o Brasil para a última posição no ranking de Ambiente Econômico. A CNI entende que o País viverá um avanço significativo com a reforma tributária, mas alerta que é preciso cuidado com as regulamentações, especialmente para que exceções tributárias não façam a alíquota média do novo imposto sobre o consumo ser muito alta. O estudo da CNI mostra que em nenhum dos macroindicadores que compõem o ranking o País figurou na primeira metade da classificação. O aspecto em que o País se sai melhor é no desempenho de Baixo Carbono e Recursos Naturais, ocupando a 12ª posição. O destaque positivo ficou no subfator de descarbonização, com o 2º lugar. De acordo com a CNI, ainda seria necessário o País avançar em termos de economia circular, subfator no qual o Brasil se desempenhou mal. A CNI publica o ranking desde 2010. Nesta edição, a entidade trouxe alterações metodológicas, com a redefinição de países que competem com o Brasil. Agora, o estudo destaca as economias que possuem uma cesta de produção mais próxima à do País e que estão presentes nos mesmos mercados, tanto em nível de importação quanto de exportação. Fabrício Silveira diz que, embora a performance do Brasil no ranking tenha sido ruim, os resultados também revelam a “resiliência” da indústria brasileira. “No meio de um ambiente de negócio e um ambiente econômico que são adversos, a gente ainda consegue acessar esses mercados de forma competitiva com algumas das nossas firmas”. Desenvolvimento Humano No fator de Desenvolvimento Humano e Trabalho, em que o País também figurou na última posição, quem lidera é a Coreia do Sul. Relações de Trabalho, que aponta o Brasil em 16º; Saúde e Segurança, em que o País figura em 15º; e Diversidade, Equidade e Inclusão, no qual ocupa o penúltimo lugar, são os subfatores considerados. No primeiro, por exemplo, foram analisados os temas sobre razão de dependência e impacto das regulamentações trabalhistas na atividade empresarial. Já no subranking Educação, que também levou o Brasil para o último lugar do levantamento, problemas como baixa adesão ao Ensino Técnico e volume baixo de formação de profissionais ligados à ciência e tecnologia foram quesitos que afetaram negativamente o País. Nesse fator, quem ocupa o 1º lugar é a Alemanha. “A baixa qualidade da educação impacta no mercado de trabalho e no desenvolvimento sustentável econômico. O caminho é desafiador e inclui a necessidade de recuperação de problemas trazidos pela pandemia e pela guerra, a redução do Custo Brasil, como também o aumento da produtividade e da inovação em todas as camadas da economia”, comentou o presidente da CNI, Ricardo Alban. O Brasil ficou em 15º lugar no ranking de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Tecnologia. Mas, no subfator de Ciência, Tecnologia e Inovação, se saiu melhor, na 12ª posição. “Não é todo país que tem uma estrutura com a capilaridade do Senai, por exemplo. Não é todo país que tem universidades federais que fazem pesquisa aplicada”, diz Silveira sobre os avanços no segmento. Brasil em quinto O Brasil ultrapassou a Espanha e subiu uma posição no ranking de capacidade total instalada de energia eólica onshore (em terra) do Global Wind Report 2025, chegando ao 5º lugar, informou a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica). O País registrou a instalação de 3,27 gigawatts (GW) no ano passado, atingindo 33,7 GW, ficando atrás da China (478,8 GW), Estados Unidos (154,1 GW), Alemanha (63,7 GW) e Índia (48,2 GW). Globalmente, a indústria eólica alcançou um novo recorde com a instalação de 117 GW onshore e offshore (no mar), somando 1.136 GW no mundo. O relatório mostra que a indústria eólica brasileira viveu um período recorde de novas instalações de parques eólicos onshore, entre 2021 e 2023, puxado principalmente pelo mercado livre, por meio de contratos de compra e venda de energia privados. O documento destaca a aprovação do marco legal da energia eólica offshore, em janeiro deste ano, ressaltando que o Brasil tem potencial estimado em 1,2 GW e expectativa de um leilão de áreas ainda este ano, “impulsionando novas indústrias, como a produção de hidrogênio verde e a instalação de data centers”. “O relatório trouxe vitórias importantes, como a regulamentação das eólicas offshore, o marco regulatório de hidrogênio e do mercado de carbono. Apesar da crise em nossa indústria eólica, conseguimos crescer no ranking”, explica a presidente-executiva da Abeeólica, Elbia Gannoum.