Pista no Emissário Submarino, em Santos, reúne novos praticantes e antigos fãs da modalidade (Alexsander Ferraz/AT) Que os santistas adoram uma bicicleta, ninguém discute. A frota presente na Cidade pode chegar a 350 mil magrelas em circulação, de acordo com a Associação Brasileira de Ciclistas. Porém, uma turma faz dessa paixão em pedalar algo mais radical: é a galera do BMX (sigla para bicycle motocross, ou bicicross), modalidade realizada em pistas com obstáculos, realizando manobras e saltos e que tem na pump track, construída no Parque Municipal Roberto Mário Santini, no José Menino, um ponto de encontro. Trata-se de um estilo de pista que vem crescendo em parques públicos por apresentar um formato simples e seguro, onde crianças e jovens encontram uma forma divertida de praticar o esporte, que estreou nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008 (leia mais abaixo). “O Emissário Submarino conta com uma estrutura incrível. É um lugar simplesmente mágico. O nosso skate park é excelente, gosto de tudo por lá. E a pump track foi, sem dúvida, uma das melhores coisas que Santos poderia ter feito ali”, afirma Fabiano Luiz Diniz, de 42 anos. Mais conhecido como Feito de Bike, ele é professor de BMX e também ensina as pessoas a andarem de bicicleta. A paixão pelo BMX já tem 28 anos. “É um amor, um estilo de vida. Sempre gostei de bike. Quando criança, meu pai até tirava os pedais para que eu não andasse mais”, conta. O mesmo carinho pela bicicleta pegou de jeito Mário de Aguiar Menezes Filho, o Marinho, de 35 anos. Ele anda de BMX desde 2004 e participou do projeto da pump track junto à Prefeitura de Santos. “Sou apaixonado pela bike, faço de tudo para movimentar a cena, trazer a cultura e tentar influenciar os mais novos, até para que a gente tenha, no futuro, um campeão da nossa Cidade”, explica. O “trio” é completado por Anderson Queiroz, o Dand, de 41 anos, que começou com o BMX em 1998. “Eu busco sempre aquela sensação boa que o BMX me proporciona quando acerto uma manobra que passei horas treinando. Essa mesma sensação vem no momento em que vejo uma criança que se interessa pelo esporte e, ali, há um potencial talento”, explica. Ele segue se dedicando à modalidade, mas sem disputar competições. “Faço meus rolês com os amigos, me divertindo, produzo vídeos para as marcas que me ajudam. Nos campeonatos, também ajudo nos julgamentos”, lembra. A modalidade é realizada em pistas com obstáculos, com manobras e saltos (Alexsander Ferraz/AT) Olímpico O ciclismo BMX estreou nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008. A modalidade pode ser disputada em dois estilos: o racing, em que os atletas competem em uma corrida cheia de obstáculos e vence quem cruzar a linha de chegada primeiro; e o freestyle, onde o foco está nas manobras radicais. Nesse caso, o vencedor é quem obtiver a maior pontuação atribuída pelos juízes. Orientações Fabiano lembra que, para ingressar no BMX, alguns itens são necessários. A bicicleta, por exemplo, deve ser com aro 20. Já os equipamentos de segurança incluem capacete, luvas, joelheira e cotoveleira. “Não tem uma idade exata para começar. É permitido para todas as idades, mas é muito importante que o ciclista saiba andar de bicicleta e ter uma boa atenção. Os alunos que tenho no momento não são direcionados ao BMX. Eles estão aprendendo a andar de bike sem rodas de equilíbrio. Geralmente, as aulas são marcadas em praças, como em frente ao Sesc (na Aparecida)”, acrescenta.