Manter os terminais bem apertados e a bateria bem fixada faz parte das dicas (AdobeStock) A primeira dica é dar a partida do automóvel sem que os consumidores elétricos estejam acionados (rádio, faróis, ar-condicionado e limpador de para-brisa). O mesmo princípio vale para quando o condutor desliga o automóvel. Outra recomendação é que o motorista cheque a carga, ao notar dificuldade para dar a partida (motor virando lentamente). “As baterias atualmente são seladas e possuem um visor indicativo do estado de carga — geralmente a cor verde indica que a bateria está carregada (ver legenda no rótulo da bateria para conferir o estado de carga pela cor). Um especialista pode fazer a verificação, inclusive, com aparelhos”, explica. Retirar a embalagem da bateria é outra dica. “Manter a embalagem pode até ficar mais bonito, mas é prejudicial, pois ajuda a reter o calor que pode contribuir com a redução da vida útil da bateria”, justifica. () Alarme e terminais Ao estacionar o veículo em local seguro, onde não seja necessário ligar o alarme — como a garagem do prédio —, o motorista tem a opção de fechar o automóvel apenas na chave. “O alarme faz o estado de carga ir reduzindo lentamente, como se fosse uma caixa d’água gotejando um pequeno vazamento. Se ficar um longo período sem recarga, a bateria pode atingir um estado de descarga profunda”, explica. Não é recomendável este ciclo profundo para baterias automotivas, sobretudo para baterias convencionais, segundo o engenheiro, que também é proprietário da Euro Car Recuperadora, na Capital. Manter os terminais bem apertados e a bateria bem fixada completa a série de dicas. “Os terminais mal apertados podem gerar atrito com os polos pela vibração, chegando a derretê-los. A bateria mal fixada pode vibrar excessivamente, contribuindo para a redução da vida útil”, argumenta. Quando trocar a bateria A hora certa de trocar a bateria é quando o equipamento começa a apresentar os sinais de fim de vida. O engenheiro mecânico Francisco Stela descreve os elementos que compõem esse quadro. “O motor começa a girar lentamente para partir ou não gira — isso pode ser apenas a necessidade de recarga, ou não. O aumento de resistência à recarga, quando a bateria não recebe carga ou, mesmo tendo sido recarregada, descarrega rapidamente, é outro sintoma”, detalha. O especialista lembra que deve ser verificado se o alternador está cumprindo suas funções. Ele é um tipo de minigerador elétrico, que converte energia mecânica em energia elétrica por meio de um processo conhecido como corrente alternada. Recomendações na hora da compra Na hora da compra da bateria, a primeira recomendação é obedecer às especificações do fabricante do veículo quanto ao tipo de bateria e amperagem. “Nunca se deve colocar a bateria com a amperagem inferior à especificada”, sentencia Francisco. Ao adquirir o equipamento, o especialista alerta que é importante verificar o estado geral da embalagem e da própria bateria, para não comprar uma que esteja velha por muito tempo em estoque. () “A bateria que fica muito tempo parada passa pelo processo natural de descarga, onde as partículas de enxofre presentes no líquido da bateria se deslocam do líquido para as placas. Caso a bateria não receba recarga, estas partículas se fixam nas placas, tornando o processo irreversível — a chamada sulfatação. Ocorrendo este processo, a bateria reduz ou até anula a capacidade de receber recarga, mesmo que nunca tenha sido usada”, explica. Francisco também observa que é necessário verificar o cartão ou documento de garantia da bateria para que, caso seja necessário, possa ser feita a troca. Calor x frio: o impacto do clima Embora o clima frio exija mais das baterias, em razão da contração das peças móveis do motor e aumento da densidade do lubrificante, o calor é que contribui para a redução da vida útil do equipamento, afirma o engenheiro. “Há uma frase que diz que as baterias ficam doentes no verão e morrem no inverno. É justamente por sofrerem maior degradação no calor e serem mais exigidas no frio. A degradação no clima quente se deve ao desprendimento do material ativo das placas, onde ocorre a redução da capacidade de carga e até a formação de microcurtos”, analisa. () Analogia para entender melhor O engenheiro explica que, dentro das baterias, há placas de liga de chumbo com uma massa ativa, onde a energia fica armazenada. Ele faz uma analogia dessa placa com uma parede de uma casa de barro. “A treliça (estrutura composta por cinco ou mais unidades triangulares formadas por ângulos conhecidos como nós, usada para oferecer apoio e resistência para a estrutura de uma obra) que sustenta o barro que forma a parede seria a estrutura de liga de chumbo em formato de grade na bateria, enquanto o barro que forma a parede seria o material ativo que é depositado na grade da placa da bateria”, detalha. O especialista completa dizendo que tanto o calor quanto a vibração contribuem para o desprendimento do material ativo das placas, o que gera a redução de capacidade e os microcurtos, diminuindo assim a vida útil da bateria.