Instituições financeiras negociam taxas e condições com clientes que já têm relacionamento e são bons pagadores (Freepik) O financiamento habitacional no País é liderado pela Caixa, que concentra 70% desse mercado. Entretanto, os bancos privados também possuem linhas para o crédito imobiliário, com condições que podem se aproximar das oferecidas pela estatal nas linhas convencionais, favorecendo os clientes já com relacionamento (aqueles que possuem conta e têm históricos de operações em determinado banco). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo o diretor da GM Financiamento Imobiliário, Tiago Baroni, as taxas do setor privado variam de acordo com a instituição, o perfil do comprador e a política comercial vigente. Conforme profissionais do mercado, bancos privados, como Itaú e Bradesco, cobram taxas na faixa entre 11,7% e 13,7% ao ano. Já o Santander informou que oferece juros de 11,69% a 13,49% ao ano, acrescidos da Taxa Referencial (TR). Já a Caixa, que tem linhas subsidiadas pelo Governo Federal ou com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), mas também para a classe média, oferece taxas entre 4% e 12% ao ano, conforme A Tribuna publicou no sábado passado (24). No caso dos privados, Baroni afirma que as condições podem ser negociadas, especialmente para clientes com bom histórico de crédito e relacionamento com a instituição. Por isso, a taxa divulgada não necessariamente será a aplicada a todos os clientes que pedem crédito. Os três bancos trabalham com prazos de até 420 meses (35 anos), segundo Baroni. O percentual financiado pode chegar a 80% em determinadas modalidades do Itaú e do Bradesco. No Santander, chega a 90% pelo sistema SAC, enquanto pela tabela Price o limite informado é de 80%, sempre sujeito à aprovação. A renda exigida e a capacidade de pagamento também influenciam a concessão. Procurado por A Tribuna, o Santander afirma que exige renda mínima mensal de R\$ 2,5 mil e comprometimento de até 35% do salário para o crédito imobiliário destinado à pessoa física. O Santander oferece taxas a partir de 11,69% ao ano, com prazo de até 420 meses. A instituição também garante financiamento de até 90% do valor do imóvel. Dicas Além dos juros, o consumidor precisa comparar o custo efetivo total (CET) do empréstimo, que reúne todos os encargos e juros da operação, como a taxa nominal, seguros, tarifas bancárias e IOF. Seguros obrigatórios, tarifas e despesas de contratação podem fazer com que um financiamento com uma taxa de juros nominal menor não seja necessariamente o mais barato. Baroni também destaca que a análise de crédito varia de banco para banco. Um cliente que não consegue aprovação em determinada instituição pode encontrar condições diferentes em outra, dependendo da renda, do histórico e dos critérios adotados. Procurados, Itaú Unibanco e Bradesco não se manifestaram. Atual imóvel pode servir de garantia para crédito Além do financiamento para compra da casa própria, os bancos ampliaram a oferta de crédito com garantia de imóvel, linha que amplia as opções para quem quer comprar a casa própria. Nessa modalidade, chamada no mercado de home equity, quem solicita o empréstimo pode utilizar o próprio imóvel ou de terceiros como garantia para obter recursos de livre utilização. Procurado pela Reportagem, o Santander afirma que tem taxa a partir de 1,12% ao mês (14,3% ao ano) e prazo de 240 meses. O valor liberado pode chegar a 60% do imóvel dado em garantia, com contratação mínima de R\$ 30 mil. A renda mínima é de R\$ 2,5 mil, podendo ser composta por duas pessoas. A modalidade não deve ser confundida com o financiamento somente para aquisição imobiliária: o dinheiro pode ser utilizado para diferentes finalidades, mas o imóvel fica vinculado à operação como garantia. Em caso de inadimplência, há risco de perda do bem. Intenção Neste semestre, a procura por crédito imobiliário permanece relevante, diz o Santander. Segundo o banco, pesquisa da consultoria Brain para a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) aponta que 52% dos entrevistados pretendem comprar um imóvel nos meses seguintes. Lucas Teixeira: entrada corresponde de 10% a 20% do valor do imóvel (Alexsander Ferraz/AT) Construtoras oferecem financiamento próprio a comprador O financiamento direto com a construtora é uma alternativa para quem pretende comprar um imóvel na planta e precisa parcelar o pagamento durante a execução da obra. Nesse modelo, as condições são negociadas diretamente com a empresa, sem que o comprador precise contratar imediatamente um financiamento imobiliário convencional. Segundo o diretor regional do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon), Lucas Teixeira, a entrada costuma corresponder de 10% a 20% do valor do imóvel, enquanto o saldo pode ser parcelado em prazos de 100 a 120 meses. As condições variam de acordo com a política comercial da construtora e as características do empreendimento. Durante a construção, o saldo devedor costuma ser corrigido pelo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC). Depois da entrega das chaves, pode passar a valer outro índice de correção, como o IGP-M, acrescido de uma taxa definida contratualmente. Quando o imóvel fica pronto, o comprador pode quitar o saldo devedor com recursos próprios, seguir as condições de pagamento previstas no contrato ou recorrer a um financiamento bancário. Recomendações A possibilidade de contratar um financiamento no momento da entrega das chaves, porém, exige planejamento. O comprador precisa considerar que sua renda, suas dívidas e as condições oferecidas pelos bancos podem mudar durante o período de construção. Para o economista Luciano Simões, o principal cuidado é não se deixar levar pelo valor aparentemente baixo das parcelas iniciais. Segundo ele, alguns contratos preveem pagamentos intermediários mais elevados, como parcelas semestrais ou anuais, além de um valor significativo na entrega das chaves. O consumidor precisa calcular o conjunto dos pagamentos antes de assumir o compromisso. Caso não consiga arcar com o saldo devedor e não obtenha aprovação bancária, poderá enfrentar dificuldades para concluir a compra. Mais cuidados O diretor regional do Sinduscon-SP recomenda que o comprador leia atentamente o contrato, verifique índices de correção, os juros, os prazos e as consequências de eventuais atrasos. Também é importante avaliar se a renda será suficiente durante todo o período contratado.