Segundo estudos, 45% das doenças cardíacas começam na boca (Imagem Ilustrativa/Unsplash) Algumas patologias ou tratamentos odontológicos podem desencadear ou agravar doenças cardiovasculares. Segundo estudos, 45% das enfermidades cardíacas e 36% das fatalidades delas derivadas começam na cavidade bucal. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “A interligação infecção dentária e coração acontece via corrente sanguínea. As bactérias e outros agentes inflamatórios originários da boca migram para o sistema cardiovascular, em processo conhecido por bacteremia”, explica o assessor científico do Departamento de Odontologia da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), Frederico Buhatem Medeiros. Ele é um dos autores da revisão integrativa sobre os fatores de risco odontológicos que comprometem a saúde cardíaca. O artigo Recomendações Odontológicas para Tratamento Endodôntico em Pessoas com Doenças Cardiovasculares foi publicado na Revista da Socesp e traz evidências sobre a relação entre terapia endodôntica e doenças cardiovasculares. Endocardite O trabalho trata também da doença periodontal – inflamação crônica dos tecidos que suportam os dentes e chegam a causar sangramentos bucais ou até a perda de dentes. “Pacientes que apresentam este diagnóstico têm 5,3 vezes mais probabilidade de desenvolver doenças cardiovasculares”, diz Medeiros. A endocardite infecciosa – infecção das válvulas do coração – que pode acarretar complicações graves, incluindo insuficiência cardíaca – é um exemplo de consequência cardiovascular desta doença. “Ela desencadeia uma resposta inflamatória sistêmica, favorecendo a formação de placas ateroscleróticas, um dos fatores de risco para infarto e acidente vascular cerebral”, comenta Medeiros. A revisão integrativa alerta para a importância da avaliação clínica e radiográfica minuciosa antes de iniciar procedimentos conhecidos por tratamento de canal. Ao identificar cardiopatias, os cuidados devem ser redobrados. “Estratégias para o controle de ansiedade, gestão do tempo de consulta, indicação de profilaxia antibiótica, manejo de sangramento e controle da dor durante e pós-operatória são fatores essenciais para o bom andamento do tratamento.” Outra orientação é não interromper o uso de antiagregantes plaquetários e anticoagulantes durante a terapia odontológica para procedimentos com baixo risco de sangramento. CUIDADOS Doenças periodontais: A periodontite (inflamação das gengivas) está associada a um maior risco de doenças cardíacas. As bactérias presentes na gengiva podem entrar na corrente sanguínea e inflamar os vasos, aumentando o risco de infarto e AVC. Endocardite bacteriana: Em casos mais graves, bactérias da boca podem atingir o endocárdio (revestimento interno do coração) através da corrente sanguínea, causando uma infecção conhecida como endocardite. Essa infecção pode danificar as válvulas cardíacas ou formar vegetações que podem obstruir pequenos vasos sanguíneos. Inflamação sistêmica: A presença de infecções e inflamações crônicas na boca pode desencadear uma resposta inflamatória generalizada no corpo, impactando a saúde cardiovascular. PREVENÇÃO Higiene bucal regular: Escovar os dentes pelo menos duas vezes ao dia e usar fio dental são essenciais para prevenir o acúmulo de bactérias e o desenvolvimento de doenças periodontais. Consultas ao dentista: Visitas regulares ao dentista permitem a detecção precoce e o tratamento de problemas dentários, além de monitorar a saúde bucal, especialmente para quem já tem condições cardíacas. Cuidados especiais: Pacientes com diabetes ou outras condições crônicas devem ter atenção redobrada à saúde bucal, pois são mais suscetíveis a infecções.