Medicamentos como tadalafila e sildenafila, princípio ativo do Viagra, ganharam popularidade pela capacidade de auxiliar no tratamento da disfunção erétil, mas a popularização dessas substâncias também fez crescer o uso por pessoas que não necessariamente apresentam indicação médica, inclusive com finalidade recreativa. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Apesar de serem medicamentos conhecidos, eles não são isentos de riscos. Quando utilizados sem avaliação profissional, especialmente em doses inadequadas ou combinados com outras substâncias, podem provocar efeitos adversos e representar um risco para pessoas com determinadas condições cardiovasculares. Para o médico cardiologista Roberto Yano, o fato de esses medicamentos serem conhecidos não significa que eles possam ser utilizados de forma indiscriminada. “São medicamentos que atuam diretamente sobre os vasos sanguíneos e, por isso, precisam ser utilizados com critério”, explica. A tadalafila e a sildenafila pertencem à classe dos inibidores da fosfodiesterase tipo 5, conhecida como PDE5. Essas substâncias favorecem o relaxamento da musculatura dos vasos sanguíneos e aumentam o fluxo de sangue para determinadas regiões do organismo, contribuindo para a ereção quando existe estímulo sexual. Isso significa que os medicamentos não provocam simplesmente uma ereção de maneira automática. Eles atuam sobre um mecanismo fisiológico específico e precisam ser utilizados com critério. Risco nas combinações Um dos maiores problemas relacionados ao uso inadequado desses medicamentos é a combinação com outras substâncias. O efeito vasodilatador pode provocar uma queda significativa da pressão arterial quando associado, por exemplo, a medicamentos à base de nitratos utilizados no tratamento de determinadas doenças cardíacas. Essa interação pode causar uma redução perigosa da pressão arterial. Efeitos colaterais Mesmo quando não há interação grave, o uso desses medicamentos pode gerar efeitos adversos. Dor de cabeça, vermelhidão, congestão nasal, tontura, alterações visuais, indigestão e queda da pressão estão entre as possíveis reações. Em situações menos comuns, podem ocorrer efeitos mais graves, como alterações cardiovasculares ou ereção prolongada, condição que necessita de atendimento médico. O risco também pode aumentar quando a pessoa utiliza doses superiores às recomendadas ou combina medicamentos para potencializar seus efeitos. Uso sem prescrição Quando o medicamento é utilizado para melhorar o desempenho sexual sem necessidade, a pessoa pode deixar de considerar fatores como histórico cardiovascular, outros medicamentos utilizados e possíveis contraindicações. Além disso, o uso recreativo pode criar a falsa percepção de que o medicamento é necessário para alcançar um determinado desempenho, quando eventuais dificuldades sexuais podem estar relacionadas a fatores psicológicos, hormonais, vasculares ou metabólicos. (Reprodução)