Entre os jovens mais pressionados, 38% afirmam sentir-se sobrecarregados (Divulgação) A pressão por resultados, a insegurança em relação ao futuro e a rotina acelerada estão afetando diretamente a vida dos jovens brasileiros e levantando novos desafios para as universidades. Dados da pesquisa "O Brasil de Agora", do Instituto Aerah House, mostram que a sensação de sobrecarga se tornou uma realidade para grande parte da população, com reflexos que chegam ao ambiente acadêmico. O levantamento, realizado com dois mil brasileiros, aponta que 59% afirmam viver uma rotina de cansaço constante. Além disso, 69% acreditam que a vida exige mais do que antes, enquanto 66% dizem continuar preocupados com a própria estabilidade mesmo quando conseguem organizar suas atividades. Entre os jovens mais pressionados, 38% afirmam sentir-se sobrecarregados ao tentar dar conta de todas as responsabilidades do dia a dia. Reflexos dentro das salas de aula Segundo o reitor da ESAMC Santos, Pedro Smolka, os impactos desse cenário já podem ser percebidos com mais frequência entre estudantes do ensino superior. "Percebemos alunos que manifestam com muito mais frequência questões relacionadas à ansiedade, dificuldades de concentração e outros desafios emocionais do que víamos há duas décadas. Muitos procuram professores para conversar e demonstram dificuldades que impactam diretamente o processo de aprendizagem", afirma. De acordo com ele, a realidade tem exigido das instituições de ensino um olhar mais atento para questões que vão além do conteúdo acadêmico tradicional. O especialista avalia que a formação universitária precisa considerar não apenas o desenvolvimento técnico dos estudantes, mas também aspectos ligados à adaptação, à comunicação e à capacidade de lidar com desafios cada vez mais complexos. Formação além do diploma Para Smolka, as mudanças no mercado de trabalho também ajudam a explicar essa transformação. Segundo ele, empresas passaram a valorizar competências comportamentais que complementam o conhecimento técnico adquirido durante a graduação. "Conhecimento técnico continua sendo indispensável, mas ele, sozinho, já não basta. O profissional precisa saber lidar com pessoas, administrar conflitos, tomar decisões, trabalhar sob pressão e aprender continuamente."