Ansiedade e depressão têm sintomas que se confundem, mas são transtornos distintos e exigem diagnósticos específicos. (Divulgação / FReepik) Ansiedade e depressão são dois dos transtornos mentais mais comuns da atualidade. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil lidera o ranking de casos de ansiedade na América Latina e está entre os cinco países com mais registros de depressão no mundo. Mas o que muita gente ainda não sabe é que, apesar das semelhanças nos sintomas, esses dois quadros exigem abordagens diagnósticas distintas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A confusão entre os dois transtornos é comum — tanto entre pacientes quanto entre profissionais da saúde que não são especializados em saúde mental. Mas, para garantir um tratamento eficaz, é fundamental compreender as diferenças nos sinais clínicos, no tempo de duração e nos impactos na vida cotidiana. Depressão e ansiedade podem coexistir, mas têm raízes, gatilhos e padrões próprios. Por isso, o diagnóstico precisa ser feito com critério, empatia e conhecimento técnico, de acordo com especialistas em neuropsicologia da Universidade de São Paulo (USP). Por que a diferença no diagnóstico é tão importante? Ainda que ambos os transtornos causem sofrimento emocional, os caminhos que levam ao diagnóstico não são idênticos. A depressão costuma ser marcada por um estado persistente de tristeza profunda, desânimo, perda de prazer e alterações significativas no sono e apetite. Já a ansiedade envolve preocupação excessiva, antecipação negativa do futuro e sintomas físicos como palpitação, tremores e tensão muscular. Apesar de parecerem parecidos em um primeiro momento — especialmente nos quadros moderados — o tempo, a intensidade e o tipo de sintoma relatado ajudam o especialista a diferenciar os transtornos. Como são feitos os diagnósticos? Depressão O diagnóstico é feito com base em critérios estabelecidos pelo DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais). Exige a presença de pelo menos cinco sintomas principais, entre eles humor deprimido, perda de interesse ou prazer, fadiga e pensamentos recorrentes de morte, por um período mínimo de duas semanas. A avaliação pode envolver entrevistas clínicas, escalas de triagem e, em alguns casos, encaminhamento para exames físicos que descartem causas hormonais ou neurológicas. Ansiedade Generalizada Também diagnosticada com base no DSM-5, a ansiedade exige sintomas como preocupação excessiva por pelo menos seis meses, associada a sinais físicos e dificuldade de controle da inquietação. Outras formas de ansiedade, como fobias, síndrome do pânico e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), têm critérios específicos. O diagnóstico pode incluir testes psicométricos, anamnese emocional detalhada e análise comportamental. O que leva à confusão entre os dois quadros? Segundo especialistas, muitos sintomas se sobrepõem: insônia, cansaço, dificuldades de concentração, alterações no apetite e até crises de choro. Além disso, é comum que uma pessoa com depressão desenvolva ansiedade como resposta ao isolamento ou ao medo de recaída — e o inverso também é verdadeiro. É como se a ansiedade empurrasse a pessoa para um estado de exaustão e a depressão puxasse para o fundo. Por isso, a linha entre as duas é tênue — e exige um olhar técnico e cuidadoso. Quando procurar ajuda? Os dois transtornos devem ser tratados com atenção e responsabilidade clínica. Se os sintomas duram mais de 15 dias, impactam a rotina e trazem sofrimento emocional, é hora de buscar ajuda. Psicoterapia é indicada tanto para ansiedade quanto para depressão. Em casos moderados a graves, medicação pode ser necessária, sempre com acompanhamento psiquiátrico. Terapias complementares, como meditação, atividade física e grupos de apoio, também ajudam. O que acontece se o diagnóstico for errado ou incompleto? Erros no diagnóstico podem levar a tratamentos inadequados ou ineficazes. Por exemplo: Medicamentos para depressão sem tratar a ansiedade podem piorar os sintomas de agitação. Abordagens para ansiedade, se aplicadas a casos de depressão grave, podem não surtir efeito algum. Além disso, um diagnóstico incorreto atrasa a recuperação emocional e pode gerar frustração no paciente.