Vista, privacidade e valor influenciam na escolha (Alexsander Ferraz/AT) A escolha entre morar em um andar baixo ou alto vai muito além da preferência pessoal. Em cidades litorâneas como Santos, essa decisão pode representar uma diferença significativa no preço do imóvel, que, em alguns casos, chega a até 50%. De acordo com o diretor da R3 Imobiliária, Sthefano Lopes, a variação é mais evidente em imóveis de alto padrão. “Um apartamento que custa R\$ 2 milhões em um andar baixo pode chegar a R\$ 3 milhões em um andar muito alto, principalmente quando há vista livre ou para o mar”, explica. Segundo ele, essa diferença está diretamente ligada ao valor do metro quadrado. A valorização dos andares mais altos está relacionada a três fatores principais: vista, privacidade e conforto térmico. “O principal item é a vista, seja para o mar ou uma paisagem totalmente desimpedida”, afirma Lopes. Ele destaca que, em prédios mais altos, a ausência de obstáculos garante uma visão ampla, algo valorizado em cidades como Santos, onde muitos edifícios mais antigos têm entre 14 e 16 andares. Além disso, a altura proporciona mais privacidade e menos exposição ao barulho da rua e à circulação de pessoas. “O cliente vai ter menos interferência de vizinhos e do movimento externo”, completa. Outro ponto importante é a ventilação e a iluminação natural. “Os andares mais altos costumam ser mais ventilados e com maior incidência solar, o que traz conforto térmico e sensação de amplitude”, diz. Lançamento Segundo o diretor da Família Imóveis, João Carlos Faneco Pereira, essa valorização já aparece desde o lançamento dos empreendimentos. “Os andares mais baixos são os mais baratos, e há um escalonamento andar a andar, com os mais altos sendo mais valorizados”, explica. Ele ressalta que essa lógica se aplica tanto a imóveis novos quanto usados. “O imóvel de andar mais alto, com vista mais livre, é mais arejado, tem mais privacidade e, por isso, é naturalmente mais valorizado”. Em cidades litorâneas, a vista para o mar intensifica ainda mais essa valorização. “Grande parte dos compradores busca andar alto justamente por causa da vista para o mar”, afirma Faneco. Essa preferência pode, inclusive, influenciar na escolha entre imóveis novos e antigos. Há compradores que abrem mão de prédios modernos para garantir uma vista privilegiada. “Tem cliente que não abre mão da vista. Se não tiver o que ele busca, ele deixa de comprar”, reforça Lopes. Valorização e barulho Apesar da diferença de preço, especialistas afirmam que apartamentos em andares baixos não desvalorizam, mas tendem a valorizar menos ao longo do tempo. “O imóvel sempre tem uma valorização gradual, mas o andar mais alto tem liquidez maior, vende mais rápido e, por isso, se valoriza mais”, explica Faneco. Lopes complementa que a liquidez de andares baixos pode variar conforme as características do imóvel. “Se for um andar baixo com vista livre, ele ainda tem boa saída, principalmente por ter um preço mais competitivo”. O nível de ruído também pesa na decisão do comprador, principalmente em avenidas movimentadas. “Os andares mais baixos acabam tendo mais rejeição nesses casos, e muitas pessoas optam por subir mais no prédio para fugir do barulho”, diz Faneco. Já em ruas mais tranquilas, esse fator perde força e pode não influenciar tanto na valorização. Fator financeiro pesa Não há um perfil único para quem escolhe andares baixos ou altos, mas o fator financeiro costuma ser determinante. “Quem compra andares mais baixos, em geral, busca pagar menos por um produto semelhante”, afirma o diretor da R3 Imobiliária, Sthefano Lopes. Já os andares mais altos acabam sendo mais acessíveis a quem pode investir mais. O diretor da Família Imóveis, João Carlos Faneco Pereira, acrescenta que há, sim, uma percepção de que pessoas mais idosas podem preferir andares mais baixos, muitas vezes por receio de altura, mas reforça que isso não se trata de uma regra. No topo da valorização estão as coberturas, geralmente duplex ou triplex. Além da altura, elas têm maior área e oferecem ainda mais privacidade. “É um público mais específico, que busca conforto, segurança e exclusividade”, explica Faneco. Para quem compra pensando em investimento, os especialistas são unânimes: andares mais altos têm maior liquidez. “Eles vendem mais rápido e têm maior valorização, principalmente quando têm vista mar”, afirma Lopes. Faneco concorda: “Se comparar no mesmo prédio, o andar mais alto sempre vai sair antes”. Tendência de mercado A preferência por andares mais altos não é nova, mas vem se intensificando nos últimos anos. “Sempre houve diferença de preço, mas ela está aumentando porque a demanda por andares mais altos é cada vez maior”, diz Lopes. Já Faneco avalia que essa lógica é histórica no mercado imobiliário. “Sempre foi assim: quanto mais alto, mais valorizado, pela vista, privacidade e ventilação”.