(FreePik) Morar de aluguel tem se tornado uma escolha mais comum para uma parcela da população brasileira, e não só por falta de acesso à casa própria. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a proporção de imóveis alugados no País subiu de 18,4% em 2016 para 23,8% em 2025. No mesmo período, o percentual de moradias próprias caiu de 66,7% para 60,2%. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP), José Augusto Viana Neto, o crescimento da locação acompanha mudanças no mercado de trabalho e no perfil da população. De acordo com ele, o aumento do emprego formal nos últimos anos ampliou o número de famílias com condições de arcar com aluguel. Além disso, Viana aponta que a mobilidade tem papel central na decisão. Profissionais que vêm à região para trabalhos temporários, como operações portuárias ou montagem de equipamentos, tendem a optar pela locação. “São pessoas que ficam 60, 90 dias ou até um ano e meio. Não faz sentido comprar”, afirma. Ainda segundo o presidente do Creci-SP, o aluguel também é uma solução prática para moradores da própria Baixada Santista, especialmente para evitar deslocamentos longos entre casa e trabalho. Juros altos e incerteza Para o gerente-geral de Vendas da Família Imóveis, Ricardo Novoa, o cenário econômico recente ajudou a impulsionar a procura por aluguel. Segundo ele, o aumento da taxa Selic elevou o custo dos financiamentos e gerou insegurança em parte dos compradores. “Com os juros mais altos, muita gente ficou com receio de entrar em um financiamento de 30 anos sem saber como estará a situação daqui a dois ou três anos”, afirma ele. Novoa afirma ainda que o aluguel costuma ser a primeira opção para quem busca moradia, seja por urgência ou pela percepção de que o processo de compra é mais complexo. Ele também destaca que há situações em que até proprietários optam por alugar, ao trocar temporariamente de imóvel conforme a necessidade. Já o diretor regional do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (Secovi-SP), Carlos Meschini, ressalta que a locação vem crescendo de forma consistente nos últimos anos. “A locação de imóveis apresenta viés de alta em toda a Baixada Santista. Em determinadas faixas de valor já é possível observar, inclusive, escassez de oferta”, afirma. Menores e mais caros O presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP), José Augusto Viana Neto, aponta que unidades menores, como quitinetes e apartamentos de um dormitório, são bastante procuradas por solteiros e casais sem filhos. Já os imóveis de dois quartos concentram a maior parte das locações. O gerente-geral de Vendas da Família Imóveis, Ricardo Novoa, diz que a maioria dos contratos na região envolve imóveis de dois quartos, considerados mais versáteis. Já o diretor regional do Secovi-SP, Carlos Meschini, conta que o cenário atual é de pressão nos valores. “Diante de uma demanda aquecida e oferta ainda restrita em determinados segmentos, os valores de locação apresentam tendência de alta”. Na prática, segundo Viana, os preços variam conforme localização e características. Quitinetes podem ficar entre R\$ 1,8 mil e R\$ 2,3 mil, enquanto apartamentos de um dormitório variam de R\$ 2 mil a R\$ 2,8 mil. Já unidades de dois dormitórios variam de R\$ 2,2 mil a R\$ 3 mil, podendo ser ainda mais caros em áreas valorizadas. Quem evita tomar empréstimo deve separar dinheiro para investimento Para o especialista em finanças Ricardo Hiraki, a escolha entre alugar ou comprar depende diretamente do momento e do perfil de cada um. Segundo ele, o aluguel pode representar menor custo imediato e maior flexibilidade, mas exige organização financeira. “Se a pessoa paga aluguel e não guarda dinheiro, não faz sentido. Ela precisa investir essa diferença”, afirma. Hiraki explica que, do ponto de vista comportamental, o financiamento pode favorecer a disciplina, já que está ligado à construção de patrimônio. Por outro lado, o aluguel oferece mais liberdade de mudança e adaptação. O especialista também avalia que o crescimento da locação reflete dois movimentos simultâneos. “Há uma mudança de comportamento, com pessoas menos dispostas a assumir compromissos de longo prazo, mas também um cenário mais desafiador, com juros altos e imóveis mais caros”, afirma. Mesmo com o avanço da locação, o investimento em imóveis continua sendo uma estratégia relevante. “O investimento em imóveis segue como uma alternativa tradicionalmente sólida, tanto para geração de renda quanto pela valorização patrimonial ao longo do tempo”, afirma o diretor-regional do Secovi-SP, Carlos Meschini. Segundo ele, o mercado também tem se adaptado a esse novo perfil, com o desenvolvimento de imóveis mais compactos e funcionais.