Uma tradição é capaz de unir todos esses públicos: o álbum de figurinhas do Mundial (Alexsander Ferraz/AT) A dois dias do início da Copa do Mundo, tem quem conte as horas para ver a bola rolar nos gramados dos EUA, México e Canadá, aqueles que já sabem tudo (ou quase) sobre as 48 seleções da maior competição esportiva do planeta, os mais desavisados que só param para ver os jogos da seleção brasileira e até quem nem ligue muito para o torneio. Mas uma tradição é capaz de unir todos esses públicos: o álbum de figurinhas do Mundial, que movimenta bancas, lojas e a internet, lota pontos de troca e mobiliza crianças, jovens e adultos na busca pelos 980 cromos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O fato é que o álbum conecta diferentes gerações. Foi assim que começou a jornada do empreendedor Marcio Faria Junior, de 26 anos. Após crescer em uma família de colecionadores, ele levou a tradição adiante e transformou o hobby em rotina. Este ano, ele já completou dois álbuns e comprou o terceiro. “Eu comecei a colecionar com 6 anos. Meu primeiro álbum foi na Copa de 2006 e desde lá completo todos. É uma paixão que vem de família”. Nem sempre completar o álbum é tarefa fácil, mas, no fim, a sensação vale a pena. Para Marcio, o melhor momento é justamente quando consegue trocar a última figurinha que faltava para fechar a coleção. “Consegui completar o primeiro em 5 dias e o segundo em 18. Graças aos pontos de troca, fica mais fácil completar. Como sobraram algumas figurinhas, vou para o terceiro álbum agora”. O estudante João Pedro Vieri Rechtenwald, de 14 anos, também já conseguiu completar o álbum e decidiu ajudar o irmão, de 6 anos, a finalizar o dele. “Essa vontade de completar o álbum veio muito por causa do meu pai, que faz isso desde a Copa do Mundo de 1990. Eu acabei entrando nesse mundo por influência dele, e hoje virou uma coisa que a gente faz em família”. #ATUALIZAÇÃO Em meio a algumas previsões ‘furadas’ sobre os nomes da seleção brasileira que estariam na Copa do Mundo, a Panini, responsável pela produção do álbum, anunciou que fará uma atualização nas figurinhas. A novidade virá como um ‘pacote de atualização’, trazendo os cromos de atletas convocados (como Neymar, Igor Thiago, Rayan, Bremer e Endrick) para substituir quem ficou fora da lista final (Bento, João Pedro, Éder Militão, Rodrygo e Estêvão). Contudo, detalhes sobre essa atualização não foram divulgados. O estudante João Pedro Rechtenwald, de 14 anos, completou o álbum e passou a ajudar o irmão (Alexsander Ferraz/AT) #FIGURINHAS Um fator que une a galera na missão de completar o álbum são as trocas de figurinhas repetidas — que, muitas vezes, acabam rendendo até novas amizades. Marcio destaca que conhecer pessoas e viver essa interação tornam tudo ainda mais divertido. Além disso, os pontos de troca facilitam a vida de quem quer completar o álbum o mais rápido possível. Assim como no álbum passado, existem figurinhas “legends” e que, segundo ele, não são para colar no álbum, mas sim para colecionar. “Consegui vender uma figurinha do Valverde prateada por R\$ 400 e uma do Modric de ouro por R\$ 600. Essas foram as de maior preço por enquanto. Com sorte, consigo achar um Cristiano Ronaldo ou Messi dourado, que estão avaliados em R\$ 1,3 mil cada” #VOCÊSABIA? Cada pacotinho com sete cromos custa R\$ 7, enquanto o álbum sai por R\$ 24,90 na versão tradicional e R\$ 74,90 na edição com capa dura. No melhor dos mundos, sem tirar nenhuma figurinha repetida, seria possível fechar o álbum da Copa gastando cerca de R\$ 1 mil. Mas quem já entrou nessa febre sabe que a realidade passa longe disso. Na prática, as repetidas aparecem aos montes, e completar a coleção sem fazer trocas pode custar bem mais que isso. Dessa forma, os pontos de troca, encontros em praças, bancas e até grupos nas redes sociais acabam virando parada obrigatória para a galera que quer economizar e fechar o álbum mais rápido.