Chuvas intensas e alagamentos podem causar problemas sérios nos veículos ( Gabriel Trevisan/Estadão Conteúdo ) Os temporais constantes nessa época do ano causam alagamentos nas cidades e muitos prejuízos. Passar com o automóvel em uma rua que mais parece um rio pode causar sérios problemas. No veículo de motor a combustão (gasolina e álcool), ele utiliza o ar externo na explosão interna dos cilindros. Ou seja, aquele duto do filtro de ar do motor do seu carro é responsável por aspirar ar externo e jogar dentro da câmara de combustão, onde esse ar é comprimido várias vezes juntamente com o combustível, causando a explosão e o movimento. “Quando esse filtro de ar aspira água em vez de ar, ele joga essa água dentro dos cilindros. Esse líquido é incompreensível, causando que chamamos de ‘calço hidráulico’, onde as bielas entortam ou quebram, provocando danos internos no motor e até a quebra do bloco”, explica o engenheiro mecânico Carlos Alberto Fávaro Pinheiro. Na rua O problema é que o alagamento pode começar quando o motorista já estiver na rua. Há dicas para driblar isso, lembra o também proprietário da Baobá Serviços Automotivos. “Inicialmente, é importante prestar atenção no fluxo da água, procurando evitar as ruas mais cheias. Uma dica é analisar outros motoristas. Se o carro da sua frente conseguir passar, é um bom indicador. É bom olhar o nível do alagamento em relação à roda dos carros: se passar da metade, pare e desligue o carro. Só volte a ligar depois de a água diminuir. Evite abrir as portas, pois irá causar inundação interna, danificando bancos, carpetes e componentes eletrônicos instalados no assoalho do automóvel.” Caso a água esteja em um nível menor do que a metade da roda, é possível atravessar e procurar um local mais alto, evitando danos no motor e na eletrônica do veículo. Nos de câmbio manual, é recomendável manter uma marcha baixa (primeira ou segunda) e aceleração constante sem troca de marcha para evitar trancos e espaços de ar no escapamento. “Nos carros automáticos, sendo possível mandar apenas uma marcha (optante pela mudança de marcha manual), faça a mesma coisa: aceleração alta e constante para sair fumaça pelo escapamento, evitando a entrada de água e sem trocas de marcha. Se o câmbio não tiver essa opção, mantenha aceleração constante para que o carro não efetue troca de marchas”, explica Pinheiro. “As dicas devem ser usadas para sair de regiões com situações críticas, de emergência, pois é comum alterar o nível de alagamento de região para região e de rua para rua. Cuidado também com ‘ondas’ causadas por grandes veículos, como ônibus e caminhões”, emenda. A melhor opção é remover o carro para uma oficina, para que seja efetuada uma análise do motor, do filtro de ar e as velas (FreePik) Estacionado Outra situação envolve o automóvel sofrer um alagamento enquanto estava estacionado. Neste caso, a solução é outra. “Não tente ligar o motor. A melhor opção é remover o carro para uma oficina, para que seja efetuada uma análise do motor, do filtro de ar e as velas, evitando causar um calço hidráulico com água armazenada no filtro de ar”, recomenda o engenheiro mecânico. E os elétricos? Para os proprietários de carros elétricos, há problemas também em casos de alagamentos, mas são diferentes dos outros veículos, explica o engenheiro mecânico Carlos Alberto Fávaro Pinheiro. “A bateria onde fica armazenada a energia, por exemplo, é selada com cola e outros materiais, não oferecendo risco de infiltração nem choque elétrico, desde que a manutenção tenha sido feita de acordo com o recomendado”, afirma. De modo geral, detalha Pinheiro, módulos e outros componentes eletrônicos também são instalados no assoalho do carro, assim como os que são movidos a combustível fóssil, e serão danificados no contato com a água, mas sem perigo de alta tensão. “O motor elétrico trabalha com o princípio do magnetismo, que não é afetado na presença da água, mas sim somente em longo prazo pela ferrugem causada pela água”, esclarece. Maior risco O maior risco do carro elétrico não é o alagamento e, sim, a colisão, afirma o engenheiro mecânico. “Mesmo as grandes baterias armazenadas no centro do carro, revestidas com boas estruturas, no caso de uma colisão, podem causar o vazamento de lítio. Entrando em contato com o oxigênio, haverá um incêndio que poderá chegar a 600 °C, que não poderá ser apagado e só irá terminar após a queima completa dos componentes.”