(Adobe Stock) A palavra aesthetic vem do inglês e significa estética, mas ganhou um novo significado no universo jovem, especialmente no TikTok, Tumblr, Pinterest e Instagram: virou sinônimo de estilo de vida. “É uma estética que vai além da aparência. É um conjunto de símbolos visuais que constrói uma atmosfera específica, seja por meio de roupas, paletas de cores, músicas, filtros ou cenários”, afirma a consultora de imagem Andrielly Antunes. “Mas a estética só é afirmativa quando está alinhada com o que a pessoa realmente é, sente e acredita. Senão, vira apenas performance ou um personagem”, emenda. O surgimento, segundo a especialista, vem da combinação entre cultura, sentimento coletivo e tecnologia: tudo o que é visto, sentido e desejado transforma-se em códigos visuais que se espalham e se adaptam. “São expressões rápidas de um universo mais complexo: um estilo de vida, um estado de espírito, uma intenção. A identidade da pessoa”, define. A identificação dos jovens com essas microidentidades visuais se dá, de acordo com Andrielly, por estarem um momento de descoberta e construção de personalidade. “Elas (as microidentidades visuais) permitem experimentar e pertencer. Nesse processo, aesthetics oferecem mapas visuais para que cada pessoa possa testar versões de si, expondo mais sua comunicação visual com menos exposição verbal e mais pertencimento instantâneo. Elas funcionam como um convite para dizer ‘esse sou e me representa nesse momento’, mesmo que de forma temporária”, explica. Imagem é tudo A era em que a imagem fala mais alto do que o discurso justifica muito do sucesso. “Noventa por cento da nossa comunicação é não verbal — sendo cerca de 55% composta por linguagem corporal, o que inclui o vestir), 38% por tom de voz e apenas 7% pelas palavras em si. Isso explica por que a imagem (e o que ela sugere) tem tanto poder: ela antecede a fala, molda percepções e influencia a forma como somos recebidos, antes mesmo de nos apresentarmos. E, por isso, essas identidades visuais se tornam ferramentas importantes de expressão”, define. Como tudo comunica, a estética virou um código, analisa a consultora de imagem. “O modo como alguém se veste, fotografa, edita ou organiza um feed nas redes sociais é um gesto simbólico. Escolher uma estética é afirmar um estilo de vida, uma identidade mas também sinalizar para o outro com quem se quer se conectar. Isso cria um senso imediato de comunidade: quem compartilha a estética, compartilha parte do mesmo repertório”, define. Identidade visual + emocional O que é ter uma aesthetic? É abraçar uma identidade visual + emocional. Exemplo: se a pessoa curte dark academia, ela ouve música clássica ou melancólica, lê livros antigos, usa roupas escuras e posta fotos com filtro sépia em bibliotecas. Se a pessoa é clean girl, ela adota um look com pele glow, cabelo preso com gel, joias discretas, smoothie verde e uma vibe “vida saudável organizada”. Filtros protegem, mas também distanciam Os perigos dessa espécie de “curadoria da vida” estão quando a imagem ganha mais valor do que a vivência, afirma a consultora de imagem Andrielly Antunes. “Como todo excesso, olhar demais a própria imagem pode provocar ansiedade, alimentar comparações irreais e gerar idealizações que não se sustentam na vida real. Quando tudo vira cenário ou personagem, o espontâneo, a verdade e a identidade desaparece”, alerta. O filtro, lembra a especialista, protege, mas também distancia. “E o excesso, mesmo quando bem-intencionado, pode transformar a identidade em personagem, e a autoestima em cobrança silenciosa”, completa. Por isso, é possível manter a autenticidade mesmo vivendo sob filtros. O segredo é que eles não escondam quem a pessoa realmente é. “Autenticidade não significa desprezar a estética, mas usá-la como extensão do que é verdadeiro em você. É possível sim viver com referências, tendências e imagens construídas, desde que elas sejam escolha, e não imposição. Ser autêntico é saber que sua imagem pode ser construída, mas precisa ser coerente com o quem você, o que você sente, vive e deseja transmitir”, define.