Dor abdominal pode ser um dos sintomas do câncer de pâncreas (Imagem ilustrativa / Pexels) O adenocarcinoma, tipo mais comum de câncer de pâncreas, representa cerca de 90% dos casos e afeta principalmente a cabeça do órgão. De difícil diagnóstico e alta letalidade, a doença ocupa a 14ª posição entre os tipos de câncer mais frequentes no Brasil (excluindo os de pele não melanoma) e responde por 5% das mortes por câncer no país, apesar de representar apenas 1% dos diagnósticos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo o Ministério da Saúde, entre 10% e 15% dos casos de câncer de pâncreas estão ligados a fatores hereditários, como mutações nos genes BRCA1, BRCA2 e PALB2, associados ao câncer de mama e ovário, além de síndromes como Peutz-Jeghers e pancreatite hereditária. No entanto, a maioria dos casos está relacionada a fatores não hereditários, muitos deles modificáveis. Entre os principais estão o tabagismo, excesso de gordura corporal, diabetes mellitus e pancreatite crônica não hereditária. A exposição ocupacional a substâncias químicas como solventes, tetracloroetileno, estireno e cloreto de vinila também pode elevar o risco. Profissionais da agricultura, manutenção predial e indústria do petróleo estão entre os mais vulneráveis. Quais os sinais e sintomas? Fraqueza, perda de peso, falta de apetite, dor abdominal, urina escura, náuseas, dores nas costas e coloração amarelada na pele e nos olhos estão entre os sintomas mais comuns do câncer de pâncreas. A variedade e a inespecificidade dos sinais dificultam o diagnóstico precoce da doença, contribuindo para sua alta taxa de mortalidade. O Ministério da Saúde também destaca o diabetes como ponto de atenção. A doença pode tanto ser um fator de risco quanto uma manifestação precoce do câncer pancreático. Por isso, o surgimento recente de diabetes em adultos deve ser avaliado com cautela, já que pode anteceder o diagnóstico da doença. Como pode ser feito o diagnóstico? Não há um sinal clínico exclusivo que confirme, por si só, o diagnóstico de câncer de pâncreas. Segundo orientações do Ministério da Saúde, o processo diagnóstico envolve a combinação de exames de imagem, como ultrassonografia convencional ou endoscópica, tomografia computadorizada e ressonância magnética, além de exames laboratoriais. A dosagem do antígeno Ca 19.9 no sangue pode contribuir para o diagnóstico. O diagnóstico conclusivo da doença, no entanto, só é possível por meio de laudo histopatológico, obtido após biópsia do tecido suspeito ou da peça cirúrgica. Como é o tratamento do câncer de pâncreas? O tratamento do câncer de pâncreas varia conforme o tipo de tumor identificado no laudo histopatológico, os resultados dos exames e o estado clínico do paciente no momento do diagnóstico. A cirurgia é o único método com potencial curativo, mas é viável apenas em uma minoria dos casos, já que a doença costuma ser detectada em estágio avançado. Quando a intervenção cirúrgica não é possível, o tratamento inclui quimioterapia e radioterapia, além de cuidados paliativos para aliviar os sintomas. O controle de manifestações como dor, falta de ar e depressão é parte fundamental da assistência, exigindo atenção constante da equipe multiprofissional.